Piloto da Latam é preso em Congonhas suspeito de manter rede de exploração infantil há oito anos
A polícia afirma que o suspeito recebia fotos enviadas por mães, avós ou responsáveis por meio de aplicativos de mensagens
Um piloto de 60 anos foi preso dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, suspeito de liderar uma rede de exploração sexual infantil. A prisão ocorreu durante a operação “Apertem os Cintos”, conduzida pela Polícia Civil, que investiga crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e produção e distribuição de material de exploração sexual envolvendo crianças e adolescentes.
Segundo a investigação do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), o homem pagava valores entre R$ 30 e R$ 100 por imagens das vítimas, geralmente por transferências via Pix. De acordo com a diretora do DHPP, delegada Ivalda Aleixo, em alguns casos ele também arcava com despesas das famílias, como compra de medicamentos, pagamento de aluguel e até aquisição de uma televisão.
A polícia afirma que o suspeito recebia fotos enviadas por mães, avós ou responsáveis por meio de aplicativos de mensagens. Além disso, ele levava menores a motéis utilizando documentos falsos para ocultar a idade das vítimas.
Até o momento, dez vítimas foram identificadas no estado de São Paulo, mas os investigadores acreditam que o número pode ser maior, já que o celular apreendido contém registros que indicam vítimas em outros estados e possível compartilhamento do material com terceiros.
Entre os casos investigados estão três irmãs que teriam sido exploradas durante anos. A avó delas foi presa temporariamente por suspeita de aliciamento. Outra mulher, mãe de uma vítima, foi detida em flagrante por armazenamento e compartilhamento de conteúdo ilegal.
A investigação aponta que o piloto se aproximava inicialmente dos responsáveis fingindo interesse em relacionamento amoroso e, depois, fazia propostas envolvendo as crianças.
A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão na capital paulista e em Guararema, onde o suspeito mora. Para a polícia, há indícios de atuação organizada, com divisão de funções entre os envolvidos.
Em nota, a Latam Airlines Brasil informou que abriu apuração interna e afirmou que está colaborando com as autoridades. A companhia declarou ainda repudiar qualquer prática criminosa e destacou que o voo que seria operado pelo piloto ocorreu normalmente com outra tripulação.
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