Publicidade

Médica denuncia ratos, morcegos e problemas em instrumentais no Hospital Regional do Litoral

Louise Lima afirma ter levado relatório ao Ministério Público e diz que foi afastada após denunciar supostas irregularidades na estrutura, no centro cirúrgico, no necrotério e em contratos da unidade

Repórter Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura
Hospital Regional do Litoral
Hospital Regional do Litoral — Crédito: Divulgação

🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA

A rotina de um hospital público, que deveria ser marcada por segurança, higiene e condições adequadas para o atendimento dos pacientes, é descrita de forma bastante diferente pela médica ortopedista Louise Lima. Em um vídeo divulgado recentemente, a profissional afirma ter encontrado, durante os 12 anos em que trabalhou no Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, no Paraná, uma série de situações que considera graves e que, segundo ela, deveriam ter sido alvo de providências por parte da administração.

Entre os relatos apresentados pela médica estão a existência de instrumentais cirúrgicos que, segundo ela, estariam enferrujados ou sujos, a presença de insetos no campo cirúrgico, ratos em áreas destinadas aos profissionais e morcegos sobrevoando o pronto-socorro.

Louise afirma ainda que formalizou parte das reclamações por meio de um relatório encaminhado ao Ministério Público. Segundo ela, depois que a administração teria descoberto que era responsável pelas denúncias, acabou afastada das atividades.
“Eu fiz um relatório bastante expressivo ao Ministério Público. Denunciei, fui descoberta e afastada”, declarou a médica.

O relato coloca em discussão não apenas as condições estruturais da unidade hospitalar, mas também os mecanismos utilizados para receber e apurar denúncias feitas por profissionais que atuam na rede pública de saúde.

Entre os principais pontos abordados por Louise estão as condições do centro cirúrgico. A médica cita especificamente instrumentais que, segundo sua versão, apresentavam sinais de ferrugem ou não estariam devidamente higienizados.
“Aquele dos instrumentais cirúrgicos enferrujados ou sujos, dos insetos pousando no campo cirúrgico”, afirmou no vídeo.

O relato é particularmente sensível por envolver procedimentos cirúrgicos, nos quais a esterilização adequada dos materiais e a manutenção das condições de assepsia são fundamentais para reduzir riscos aos pacientes.

Louise também questiona a contratação de profissionais para atuação na unidade. Em determinado momento, menciona a situação de um anestesista que, segundo sua versão, teria sido contratado sem registro de qualificação de especialidade.
A médica ainda faz uma afirmação relacionada a exames e procedimentos. De acordo com seu relato, biópsias teriam sido descartadas por uma questão de economia.

Ratos em área de médicos e morcegos no pronto-socorro

As condições de higiene e manutenção da estrutura também aparecem em outros trechos do depoimento. Louise afirma que ratos chegaram a ser filmados em um espaço destinado aos médicos. Ela também relata a presença de morcegos sobrevoando o pronto-socorro.

Segundo a médica, a situação não seria isolada e faria parte de um conjunto de problemas relacionados à estrutura física, limpeza e manejo de resíduos dentro da unidade.
Outro ponto mencionado pela ortopedista envolve o armazenamento de lixo. Ela relata situações que, na avaliação dela, demonstrariam falhas na manutenção das condições adequadas do ambiente hospitalar.

Relato envolvendo o necrotério

As denúncias feitas pela médica também alcançam o setor destinado à guarda de corpos.
Louise relata que teria presenciado ou tomado conhecimento de situações envolvendo a permanência de corpos no necrotério. Segundo ela, em um dos casos, um corpo teria permanecido no local durante três dias.
A médica afirma em um vídeo ainda que, em determinada situação, familiares teriam precisado realizar o funeral com o caixão fechado em razão das condições em que o corpo se encontrava.

Questionamentos sobre contratos e contratações

As críticas apresentadas por Louise não ficam restritas às condições físicas do hospital. A médica também questiona a gestão administrativa e contratos relacionados à Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná, a Funeas.
Em seu relato, ela afirma ter pesquisado o histórico judicial de pessoas que teriam ocupado cargos comissionados e diz ter encontrado processos ou acusações relacionadas a crimes como corrupção, desvio de dinheiro e assalto a banco.
A partir dessas informações, Louise questiona os critérios utilizados para determinadas contratações. “Por que uma administração contrata um número tão expressivo de pessoas com esse histórico estranho?”, questionou.
Também cabe à administração explicar quais critérios são utilizados para a contratação de ocupantes de cargos de confiança e se são realizadas verificações de antecedentes compatíveis com as funções exercidas.

Relatório foi encaminhado ao Ministério Público, diz médica

Um dos principais elementos do relato é a afirmação de que Louise teria levado as denúncias ao Ministério Público.

A médica diz que preparou um relatório considerado por ela “bastante expressivo”, reunindo informações sobre problemas que teria identificado ao longo de sua atuação no hospital.
Segundo Louise, depois que sua identidade teria sido descoberta como autora das denúncias, ela foi afastada. “Denunciei, fui descoberta e afastada”, afirmou.
Em outro trecho, a médica resume sua avaliação sobre o episódio:
“Não porque estava errada, mas porque estava certa no lugar errado.”
Louise também aproveita o relato para fazer uma crítica mais ampla ao funcionamento das instituições públicas.

Na avaliação dela, profissionais que apontam possíveis irregularidades podem acabar sofrendo consequências em vez de receber proteção.
“Porque hoje quem aponta o problema vira o problema”, afirmou.
A médica defende mecanismos mais eficientes de proteção para servidores e profissionais que comuniquem irregularidades, além de maior transparência na administração dos hospitais públicos.
Ela também cobra uma revisão de contratos e procedimentos administrativos.

As declarações de Louise Lima ganharam repercussão justamente pela quantidade e pela gravidade das situações relatadas. A médica afirma ter passado 12 anos no Hospital Regional do Litoral e sustenta que decidiu tornar públicas as denúncias depois de encaminhar informações ao Ministério Público.

Confira abaixo o vídeo da médica Louise Lima sobre a denúncia do Hospital em uma rede social dela:

Foto: Divulgação 

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.