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Presidente Lula — Crédito: Jose Cruz/Agência Brasil

Lula sobre caso Flávio Bolsonaro e Banco Master: “É um caso de polícia”

Presidente comentou na Bahia a reportagem sobre repasses de Daniel Vorcaro, preso por fraudes no Banco Master, para produção cinematográfica. Senador nega irregularidades e diz que buscou recursos privados

Gabriel Porta · · 3 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou nesta quinta-feira (14) o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso em investigação sobre fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Durante visita à fábrica de fertilizantes Fafen, em Camaçari, na Bahia, Lula afirmou que o assunto deve ser tratado pela polícia.

“Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, declarou o presidente ao ser questionado por jornalistas.

A fala ocorreu após reportagem do portal The Intercept Brasil revelar supostos repasses de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a publicação, Flávio Bolsonaro teria articulado o apoio financeiro ao projeto cinematográfico, que seria produzido no exterior com elenco e equipe estrangeiros. O filme teria previsão de lançamento ainda neste ano.

A reportagem cita mensagens de WhatsApp, comprovantes bancários e áudios atribuídos ao senador. Em um dos trechos divulgados, Flávio menciona a necessidade de recursos para quitar “parcelas para trás” relacionadas à produção do filme.

Ainda conforme o Intercept, parte dos pagamentos teria ocorrido entre fevereiro e maio de 2025 por meio de transferências internacionais ligadas a uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio.

Daniel Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O banqueiro é investigado por suspeita de liderar um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central no fim do ano passado.

As últimas conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro divulgadas pela reportagem teriam ocorrido pouco antes da liquidação da instituição financeira e da prisão do empresário.

Após a divulgação da reportagem, deputados federais da base do governo protocolaram denúncias na Polícia Federal e na Receita Federal pedindo investigação sobre as transações financeiras e eventual prática de irregularidades.

Flávio Bolsonaro inicialmente negou as informações, mas depois confirmou ter buscado patrocínio privado para o filme sobre o pai. O senador afirmou que não houve uso de dinheiro público nem irregularidades na negociação.

“Foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, declarou.

O parlamentar também afirmou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, após o fim do governo Bolsonaro, e disse que não havia, naquele momento, acusações públicas contra o banqueiro.

Na manifestação, Flávio negou ter oferecido vantagens em troca do apoio financeiro ou intermediado negócios com o governo.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou.

O senador também defendeu a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.

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