🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Corbélia
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo
LULA E BOLIVIA
LULA E BOLIVIA — Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Público › Brasil

Lula anuncia plano para ampliar importação de gás da Bolívia e parceria com Petrobras

Em reunião com o presidente Rodrigo Paz, Lula defende papel estratégico da Bolívia no abastecimento do Brasil e firma acordos para interligação elétrica e combate ao crime organizado

Gabriel Porta · · 4 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (16) que o Brasil pretende ampliar a produção de gás natural na Bolívia e aumentar o volume de importação do insumo para o mercado brasileiro. A declaração foi feita durante reunião com o presidente boliviano Rodrigo Paz, em visita oficial ao Palácio do Planalto.

Durante o encontro, Lula destacou que a cooperação energética segue como um dos principais pilares da relação bilateral. Segundo ele, em um cenário internacional marcado por instabilidade e riscos ao abastecimento de combustíveis, a Bolívia mantém papel estratégico como fornecedora de gás ao Brasil.

O presidente brasileiro ressaltou que o país vizinho continua sendo o principal fornecedor de gás natural ao mercado brasileiro e que há interesse em ampliar os investimentos no setor para elevar a oferta do insumo.

De acordo com Lula, a parceria energética entre os dois países tem histórico consolidado. Ele citou a atuação da Petrobras, que ao longo dos anos participou ativamente do desenvolvimento da indústria de gás boliviana. Atualmente, a estatal responde por cerca de 25% da produção local, percentual inferior ao registrado no passado, quando chegou a representar 60%.

O presidente também destacou a importância do gasoduto que conecta os dois países, afirmando que a estrutura foi fundamental para o crescimento da indústria brasileira e do setor de hidrocarbonetos da Bolívia. Segundo ele, o sistema pode agora ser utilizado para ampliar a integração energética no Cone Sul e até contribuir com projetos industriais, como uma possível fábrica de fertilizantes na região de Puerto Quijarro.

Integração elétrica e energias renováveis

Além do gás natural, Brasil e Bolívia avançaram em acordos na área de energia elétrica. Durante a visita, os países firmaram um compromisso para interligar seus sistemas elétricos por meio de uma nova linha de transmissão.

O projeto prevê a conexão entre a província de Germán Busch, no departamento de Santa Cruz, na Bolívia, e o município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. A iniciativa busca otimizar o uso da energia disponível nos dois países e ampliar o fornecimento em regiões que ainda dependem de fontes mais caras, como o diesel.

Lula também afirmou que o Brasil está disposto a colaborar com a Bolívia no desenvolvimento de biocombustíveis e outras fontes renováveis. Segundo ele, a diversificação da matriz energética contribui para aumentar a segurança no abastecimento e reduzir as emissões de carbono.

Parcerias em mineração e cooperação bilateral

O presidente boliviano Rodrigo Paz destacou o potencial de cooperação entre os países na área de mineração, ressaltando a diversidade e a abundância de recursos minerais existentes na Bolívia.

Além da agenda energética, os dois governos discutiram temas como integração física, combate a crimes transnacionais, ampliação do comércio, investimentos e cooperação em áreas como desenvolvimento e questões migratórias.

Durante a visita, também foram assinados acordos voltados à promoção do turismo, com foco na qualificação profissional e no incentivo à atividade, e à cooperação no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

Esse último acordo prevê ações conjuntas para prevenir e combater crimes como tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, mineração ilegal, tráfico de armas, crimes ambientais e delitos cibernéticos.

Comércio em queda e novas oportunidades

Durante a declaração à imprensa, Lula destacou que o Brasil é atualmente o segundo principal parceiro comercial da Bolívia, mas alertou para a queda no volume de negócios entre os países nos últimos anos.

Em 2013, a corrente de comércio bilateral chegou a US$ 5,5 bilhões. Já em 2025, esse valor caiu para cerca de US$ 2,6 bilhões.

Apesar da redução, o presidente afirmou que há espaço para ampliar a cooperação econômica, especialmente em setores como alimentos, lácteos, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja. Ele também mencionou oportunidades na área de biotecnologia, com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Agenda empresarial e integração regional

Como parte da agenda oficial, o presidente boliviano participará nesta terça-feira (17) de um encontro com empresários em São Paulo, com foco na ampliação de parcerias comerciais. A comitiva conta com cerca de 120 empresários.

A aproximação econômica também envolve projetos de infraestrutura. Um dos destaques é a construção de uma nova ponte sobre o Rio Mamoré, que ligará Guajará-Mirim, em Rondônia, a Guayaramerín, no departamento de Beni, na Bolívia.

A obra integra as chamadas Rotas de Integração Sul-Americana e deve facilitar o escoamento de produtos pelo Oceano Pacífico, ampliando o acesso aos mercados asiáticos. A previsão é que os trabalhos tenham início em 2027.

Segundo Lula, a iniciativa deve melhorar a logística regional e fortalecer a conexão entre produtores brasileiros e bolivianos com portos do Chile e do Peru.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.