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resort — Crédito: Divulgação/Tayayá

Conexão Tayayá: Documento revela repasse milionário dos irmãos Batista para comprador de resort no Paraná

Transferência de R$ 25,9 milhões em operação única foi identificada pelo Coaf. Valor foi destinado à PHB Holding, que adquiriu participação que adquiriu participação de 16% no resort Tayayá em 2025

Gabriel Porta · · 4 min de leitura

O grupo J&F, dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, realizou um pagamento de R$ 25,9 milhões à PHB Holding, empresa que adquiriu participação no resort Tayayá, no Paraná, anteriormente pertencente à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com a reportagem, os dados foram identificados a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta que o valor foi transferido em uma única operação bancária. O documento indica que a movimentação ocorreu entre 5 de fevereiro e 6 de outubro de 2025, mas não detalha o destino final dos recursos após o repasse à PHB Holding.

A PHB foi a empresa responsável por adquirir a participação da Maridt Participações — ligada à família de Toffoli — no resort Tayayá. A venda ocorreu em fevereiro de 2025, quando a Maridt se desfez de uma fatia de 16% do empreendimento e deixou de integrar o negócio.

Apesar da conexão temporal entre as operações, não há, segundo os documentos, menção direta a Toffoli ou à Maridt no registro da transferência feita pela J&F.

Negócios e conexões empresariais

A PHB Holding pertence ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que, conforme as reportagens, mantém relação profissional com o grupo J&F há anos, com atuação em processos no Tribunal de Justiça de Goiás e na Secretaria da Fazenda do Estado.

Segundo informações obtidas pelo jornal Folha de S.Paulo, a compra da participação da Maridt no resort foi realizada por R$ 3,6 milhões.

Barbosa também integra a sociedade da Petra Participações ao lado de José Batista Jr., irmão mais velho dos controladores da J&F, e de Renato Costa, executivo da Friboi, marca pertencente à JBS, empresa do grupo.

Antes disso, em 2021, a Maridt já havia negociado parte das cotas do Tayayá com o fundo Arleen, ligado ao Banco Master, instituição fundada pelo empresário Daniel Vorcaro, que atualmente enfrenta processo de liquidação extrajudicial.

Decisão de Toffoli envolvendo a J&F

O caso ganha repercussão adicional por decisões anteriores do ministro Dias Toffoli relacionadas ao grupo J&F. Em dezembro de 2023, o magistrado suspendeu uma multa de R$ 10,3 bilhões aplicada à empresa em acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal. O valor já havia sido reduzido anteriormente para R$ 3,5 bilhões.

Em fevereiro de 2024, a Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu da decisão.

Posicionamentos

Em nota enviada ao portal Poder360, o gabinete de Toffoli afirmou que a negociação envolvendo a empresa da família ocorreu exclusivamente com a PHB Holding e que todas as movimentações financeiras estão declaradas à Receita Federal.

“O Gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que tem conhecimento pelos administradores da Maridt que a empresa se relacionou exclusivamente com a PHB Holding. E que suas movimentações financeiras estão todas declaradas à Receita Federal do Brasil”, informou.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, a J&F afirmou que não possui participação no resort Tayayá nem em empresas ligadas ao empreendimento. O grupo também declarou que Paulo Humberto Barbosa prestou serviços advocatícios à companhia, especialmente em questões agrárias e tributárias, sobretudo no Estado de Goiás.

Segundo a empresa, essa relação começou a ser encerrada no segundo semestre de 2025. “A relação entre advogado e cliente não se mistura com nenhuma outra atividade desenvolvida por ele”, afirmou.

O advogado Paulo Humberto Barbosa declarou ao Estado de S. Paulo que os R$ 25,9 milhões recebidos pela PHB Holding são referentes a serviços jurídicos prestados à J&F. Ele negou que o pagamento tenha relação com a compra da participação no resort.

Barbosa também afirmou que a coincidência de datas não indica vínculo entre as operações e disse que a negociação envolvendo o empreendimento ocorreu em dezembro de 2024.

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