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Gugu Bueno
Gugu Bueno — Crédito: Divulgação
Público › Política

Gugu Bueno ataca "política de pantufa" e defende sucessor de Ratinho Júnior no governo

O primeiro-secretário da ALEP subiu o tom contra a pré-candidatura de Sergio Moro (PL) e convocou prefeitos a transformarem "gratidão em ação"

Gabriel Porta · · 4 min de leitura

O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Gugu Bueno, entrou de vez no debate sobre a sucessão estadual e fez um discurso com recados diretos ao cenário político do Paraná.

A manifestação ocorre em meio à crise no Partido Liberal (PL), que rompeu com a base do governo ao lançar o senador Sergio Moro como pré-candidato ao Palácio Iguaçu.

Ao comentar o momento político, Gugu saiu em defesa do governador Ratinho Júnior e indicou que, na avaliação dele, o Estado deve manter o atual modelo de gestão.

O deputado disse que há um sentimento consolidado de reconhecimento ao governo, especialmente entre prefeitos e lideranças do interior, e que esse apoio precisa ir além do discurso. “Todos nós temos essa gratidão ao governador. E o que nós faremos com essa gratidão? Vamos deixar guardada no coração ou transformar em ação?”, questionou.

Segundo Gugu, a atual gestão se diferencia pelo perfil municipalista, com impacto direto nos municípios, sobretudo no Oeste do Paraná.

Ele citou investimentos em infraestrutura urbana e rural e afirmou que os resultados já são percebidos pela população, com efeitos que ainda devem se ampliar nos próximos anos. “São obras que impactaram e que ainda vão impactar a vida da nossa população”, disse.

Sem citar nomes, o deputado criticou o que chamou de “política de pantufa”, em referência a uma atuação que, segundo ele, é superficial e distante da realidade das cidades. Na prática, a crítica mira políticos que se limitam à produção de conteúdo para redes sociais, sem presença efetiva nos municípios.

“É acordar cedo, fazer um café, não tirar a pantufa e gravar vídeo falando em mudança. Mas transformar o quê? O Paraná vai muito bem obrigado”, afirmou.

Gugu também comentou a decisão de Ratinho Júnior de não disputar a Presidência da República.

De acordo com ele, o governador chegou a avaliar a candidatura, impulsionado pelo reconhecimento da gestão paranaense em outros estados, mas recuou após analisar o cenário político nacional.

Na leitura do deputado, pesou o risco de que conflitos em Brasília contaminassem o ambiente no Paraná. “O governador viu o risco de as brigas de Brasília contaminarem o nosso Estado”, afirmou.

Segundo ele, a permanência foi uma escolha para garantir estabilidade e continuidade administrativa, com presença direta do governo junto aos municípios.

Gugu colocou o cenário eleitoral como uma decisão entre dois caminhos.

“Vamos continuar nesse bom rumo, com uma política que muda a vida das pessoas, ou entrar nessa confusão de Brasília?”, questionou.

Gugu afirmou que acredita na manutenção do atual projeto político no Estado. Segundo o deputado, os sinais recentes indicam que o Paraná deve seguir “no rumo certo” sob a liderança de Ratinho Júnior.

Crise no PL e efeito dominó nos municípios

A decisão do PL de lançar Sergio Moro como pré-candidato ao governo provocou um racha interno e desencadeou uma debandada de lideranças alinhadas ao governador.

O movimento ganhou força após o deputado federal Fernando Giacobo deixar a presidência estadual da sigla e anunciar sua desfiliação.

Em mensagem enviada a prefeitos, Giacobo afirmou que a saída foi motivada pela necessidade de manter o apoio político a Ratinho Júnior.

Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão abriu um efeito cascata dentro do partido.

A expectativa é que até 53 prefeitos eleitos pelo PL deixem a legenda.

Segundo o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Marcel Micheletto, ao menos 49 gestores já confirmaram a desfiliação.

A articulação foi consolidada após reunião em Curitiba e representa uma reação direta à mudança de rumo do partido.

Prefeitos de cidades estratégicas, como Renato Silva e Silva e Luna, aderiram ao movimento, ampliando o peso político da debandada.

Moro, Bolsonaro e disputa interna

Durante as discussões internas, Giacobo também fez críticas à filiação de Sergio Moro ao PL e relembrou o rompimento do ex-juiz com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A entrada de Moro na sigla foi articulada pela direção nacional e contou com apoio do senador Flávio Bolsonaro, consolidando a mudança de estratégia do partido no estado.

Apesar da resistência interna, Moro aparece competitivo nas pesquisas, o que sustenta sua posição como principal nome da oposição ao grupo governista.

Com a permanência de Ratinho Júnior no cargo, o foco agora se volta à definição de um sucessor.

Entre os nomes mais cotados estão Alexandre Curi, Rafael Greca e Eduardo Pimentel.

O secretário Guto Silva, que era apontado como favorito, perdeu força nas últimas semanas.

Enquanto isso, a nova direção estadual do PL, sob comando do deputado federal Filipe Barros, tenta conter os efeitos da crise e reorganizar a base partidária.

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