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Gasto público supera arrecadação de impostos em R$ 1 trilhão

Plataforma Gasto Brasil mostra avanço das despesas públicas em 2026, mas alerta que a diferença entre gastos e tributos não representa o déficit fiscal do país

Repórter Gazeta do Paraná · · 2 min de leitura
Cédula dinheiro
Cédula dinheiro — Crédito: Raphael Ribeiro/BCB

O total das despesas públicas no Brasil superou em R$ 1 trilhão a arrecadação de impostos, taxas e contribuições registrada pelo Impostômetro, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A marca foi atingida nesta segunda-feira (24), segundo dados da plataforma Gasto Brasil, criada pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) em parceria com a ACSP.

A comparação considera as despesas primárias da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios de um lado, e a arrecadação tributária acompanhada pelo Impostômetro do outro. A diferença serve como um indicador do ritmo dos gastos públicos, mas não deve ser confundida com o déficit fiscal brasileiro, já que os dois sistemas utilizam metodologias e abrangências diferentes.

O avanço das despesas ocorre em ritmo acelerado. O Gasto Brasil alcançou R$ 3 trilhões em 15 de julho, cerca de 20 dias antes do período em que havia atingido a mesma marca em 2025. Em 11 de agosto, quando a ferramenta foi apresentada na Câmara dos Deputados, os gastos públicos já ultrapassavam R$ 3,4 trilhões no acumulado de 2026.

Desse montante, aproximadamente R$ 1,6 trilhão, equivalente a 46,5%, correspondia à União. Os estados acumulavam R$ 926,2 bilhões, enquanto os municípios registravam R$ 908,1 bilhões.

Os valores são atualizados continuamente e podem mudar conforme novas informações são incorporadas à plataforma. A ferramenta permite consultar os gastos por esfera de governo, além de indicadores econômicos, valores por habitante e dados relacionados à qualidade das informações.

Criado em 2025, o Gasto Brasil foi desenvolvido como ferramenta complementar ao Impostômetro, possibilitando a visualização conjunta da evolução das despesas públicas e da arrecadação tributária. A proposta é ampliar a transparência e facilitar o acompanhamento das contas públicas por cidadãos, empresas, jornalistas, parlamentares e entidades da sociedade civil.

Apesar da diferença de R$ 1 trilhão, o resultado não significa que o Brasil tenha registrado um déficit fiscal desse tamanho. O cálculo oficial do resultado fiscal exige a comparação entre receitas e despesas em bases equivalentes e considera também receitas não tributárias, transferências entre governos e outros componentes das contas públicas.

Assim, a diferença apontada pelas duas plataformas funciona como um retrato da relação entre o ritmo das despesas públicas e a arrecadação tributária, mas não substitui os indicadores fiscais oficiais.

Foto: Divulgação 

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