Diretora de escola registra boletim de ocorrência e relata intimidação do prefeito de Foz do Iguaçu
Prefeito teria reagido de maneira exaltada, elevando o tom de voz, cerrando os punhos e se aproximando de forma considerada intimidatória após comentário da professora
Uma diretora da rede municipal de ensino de Foz do Iguaçu registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil após relatar ter sido intimidada, coagida e ameaçada pelo prefeito Joaquim Silva e Luna. O episódio teria ocorrido na manhã da última quinta-feira (29), em uma praça em frente à Escola Municipal João da Costa Viana, no bairro Três Lagoas.
Segundo informações repassadas a Gazeta do Paraná, a diretora, servidora pública concursada há 25 anos, teria se aproximado do prefeito acompanhada de outra servidora para cumprimentá-lo e convidá-lo a visitar a unidade escolar. A conversa teria começado de forma cordial, mas mudou de tom após a diretora comentar que a gestão da educação no município estaria enfrentando dificuldades.
Ainda conforme o relato, o prefeito teria reagido de maneira exaltada, elevando o tom de voz, cerrando os punhos e se aproximando fisicamente de forma considerada intimidatória. Ela afirma ainda que qualquer tentativa de explicação foi interrompida por frases rispidas do prefeito.
O relato aponta também que Silva e Luna teria feito uma ameaça relacionada à função da diretora, ao dizer: “eu nem sei se você vai ficar aí nessa escola”. A servidora afirma que se sentiu humilhada, constrangida e temerosa de possíveis represálias funcionais, mesmo ocupando cargo efetivo.
Confira a nota:
O Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi) vem a público manifestar o posicionamento histórico que tem de repúdio a qualquer forma de violência, em qualquer circunstância.
Desde ontem (29), estamos acompanhando o caso que envolve uma diretora de unidade escolar da rede pública municipal de Foz do Iguaçu e o prefeito Joaquim Silva e Luna com a devida cautela.
Como legítimo representante dos profissionais da educação da rede municipal de Foz do Iguaçu, oferecemos toda nossa solidariedade à diretora, aos familiares dela e aos colegas de trabalho. Informamos também que a assessoria jurídica do sindicato está prestando o atendimento necessário à profissional.
O sindicato seguirá atento aos desdobramentos, dentro de suas atribuições institucionais, sempre pautado pelo respeito, pela responsabilidade e pelo compromisso com a categoria que representa.
Sinprefi - unidos e mais fortes.
A Gazeta do Paraná entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Foz do Iguaçu, que se manifestou por meio de nota sobre a situação:
"A Prefeitura de Foz do Iguaçu recebeu solicitações de informação por parte de veículos de imprensa a respeito de um fato ocorrido recentemente em espaço público do município. Após apuração interna, com a oitiva de servidores presentes no local, secretários e diretores, a administração municipal vem a público prestar os devidos esclarecimentos.
Na ocasião, o prefeito Joaquim Silva e Luna realizava, na Praça das Três Lagoas, o acompanhamento dos serviços de zeladoria e manutenção do espaço, atividade que integra a rotina da gestão municipal com foco na recuperação e valorização dos espaços públicos.
Durante o acompanhamento dos trabalhos, o prefeito concedia entrevista ao repórter Leandro, da Rádio Cultura, que permaneceu no local durante toda a situação. Neste momento, uma servidora municipal se aproximou e se identificou como diretora de uma escola da rede pública. Houve um breve diálogo, no qual a servidora mencionou a escola onde atua e convidou o prefeito a conhecê-la, convite que foi acolhido de forma cordial, inclusive com referência informal a um café no local.
Instantes depois, ainda na presença de servidores e do profissional de imprensa, a servidora retornou e passou a manifestar críticas relacionadas à área da educação e à gestão, com comentários de cunho político-administrativo, de forma mais enfática.
O diálogo ocorreu em um ambiente com intenso ruído de máquinas e equipamentos utilizados nos serviços de poda e limpeza, circunstância que, conforme relatos colhidos no local, pode ter dificultado a adequada compreensão das falas.
Segundo os relatos apurados, tratou-se de uma divergência de opiniões, situação comum e legítima no ambiente democrático, especialmente em espaços públicos. Não houve qualquer contato físico ou ato de violência, tudo presenciado por servidores e pelo profissional de imprensa que acompanhava a entrevista no local.
A administração municipal considera importante esclarecer que acusações mais graves divulgadas por alguns meios, especialmente aquelas que mencionam episódios de violência, não encontram respaldo nos fatos.
Ressalta-se que esta gestão implantou políticas públicas estruturantes voltadas à proteção das mulheres, como a criação da Secretaria Municipal da Mulher, o início da construção da Casa da Mulher de Foz do Iguaçu, além da adequação e funcionamento de uma Casa Abrigo para acolhimento de mulheres vítimas de violência. Soma-se a isso o fortalecimento da atuação da Patrulha Maria da Penha, que tem apresentado resultados relevantes no atendimento, orientação e proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade.
Com o devido cuidado no tratamento das informações, a Prefeitura de Foz do Iguaçu reafirma seu compromisso com a transparência, com o respeito aos servidores públicos e com o direito da população de ser informada de forma correta, equilibrada e responsável.
A Prefeitura de Foz do Iguaçu segue à disposição para prestar esclarecimentos adicionais por meio de seus canais oficiais de comunicação."
O caso segue em apuração pelas autoridades competentes.
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