Copel fica entre as piores do país em ranking da Aneel após disparada de queixas
Entidades como FAEP, Ocepar e Fiep relatam prejuízos milionários na avicultura e agroindústria devido a apagões na rede rural. Sergio Moro cobra plano de ação da companhia, que propõe reajuste de 19,2% na tarifa
As reclamações sobre falhas no fornecimento de energia elétrica no meio rural do Paraná ganharam repercussão nacional nas últimas semanas e passaram a ser debatidas em audiências públicas promovidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Senado Federal. Produtores rurais, cooperativas e entidades do agronegócio relatam prejuízos recorrentes provocados por quedas de energia, oscilações de tensão e demora no restabelecimento do serviço prestado pela Copel.
O tema foi discutido em audiência pública realizada pela Aneel, em Curitiba, no dia 29 de abril, e voltou à pauta em 5 de maio, durante reunião da Comissão de Infraestrutura do Senado, em Brasília, convocada pelo senador Sergio Moro. Representantes do Sistema FAEP, sindicatos rurais e produtores participaram dos dois encontros.
Segundo as entidades do setor, os problemas no fornecimento de energia deixaram de ser casos isolados e passaram a afetar diretamente a produção agropecuária em diversas regiões do Estado. Agricultores e pecuaristas relatam prejuízos milionários provocados por interrupções frequentes no fornecimento e por oscilações na rede elétrica.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a instabilidade da energia elétrica passou a representar um fator de risco para o agronegócio paranaense.
“Os produtores convivem diariamente com quedas frequentes de energia, demora excessiva no religamento, queima de equipamentos e prejuízos financeiros. Temos centenas de relatos e processos envolvendo perdas no meio rural”, declarou.
As críticas ocorrem em meio ao anúncio de reajuste na tarifa de energia elétrica. Durante a audiência da Aneel em Curitiba, foi apresentada proposta de aumento médio de 19,2% na conta de luz da Copel, com previsão de entrada em vigor em 24 de junho.
Produtores rurais e representantes de sindicatos questionaram a possibilidade de reajuste diante das reclamações sobre a qualidade do serviço.
“Confirmar o aumento das contas de luz é premiar o péssimo serviço da Copel”, afirmou Meneguette durante a audiência.
Os problemas relatados pelos produtores envolvem interrupções prolongadas no fornecimento de energia, principalmente em propriedades ligadas à produção de proteína animal. A falta de energia afeta diretamente atividades como avicultura, suinocultura, piscicultura e produção leiteira.
Segundo Meneguette, sem energia elétrica, aviários deixam de funcionar, peixes morrem pela falta de oxigenação da água e o leite pode ser perdido por impossibilidade de refrigeração.
Durante a audiência em Curitiba, o presidente do Núcleo Regional dos Sindicatos do Norte e Noroeste do Paraná (Nurespar), Arnaldo Cortez, relatou prejuízos em sua granja de ovos no município de Cruzeiro do Sul após ficar seis horas sem energia elétrica. Segundo ele, a interrupção atrasou o processamento e a entrega dos produtos aos supermercados da região.
“Os supermercados cobraram por esse atraso e isso gerou prejuízo financeiro no custo de produção”, afirmou Cortez.
Dados da Aneel apresentados nas discussões mostram que a Copel ocupa a 27ª posição no Ranking de Continuidade do Serviço divulgado pela agência reguladora, ficando entre as últimas colocadas do país. A companhia atende cerca de 5,2 milhões de unidades consumidoras no Paraná, sendo aproximadamente 500 mil propriedades rurais.
A superintendente adjunta de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica da Aneel, Ana Claudia Cirino dos Santos, afirmou que as reclamações envolvendo a Copel cresceram na contramão do cenário nacional. Segundo ela, houve aumento de 55% nas reclamações registradas contra a empresa na plataforma consumidor.gov entre 2024 e 2025.
No Senado, representantes do setor produtivo também criticaram a diferença entre os indicadores oficiais apresentados pela Copel e a realidade enfrentada pelos consumidores. Embora os dados da companhia apontem média anual de sete horas de interrupção no fornecimento em 2025, produtores afirmam que o tempo percebido nas propriedades chega a 17 horas e meia por ano.
Segundo o senador Sergio Moro, apesar do aumento de investimentos anunciados pela empresa, os resultados ainda não são percebidos pela população.
“É louvável que a Copel tenha aumentado os investimentos, mas, pela percepção da população paranaense, isso não tem se revertido em melhoria da qualidade do serviço”, afirmou o senador, que solicitou que a Copel apresente um plano de ação para reduzir as quedas de energia e que a Aneel apresente um plano de fiscalização no prazo de 30 dias.
Representantes das cooperativas e da indústria também relataram impactos econômicos provocados pelas oscilações na rede elétrica. O coordenador de Técnica e Sanidade da Ocepar, Silvio Krinski, afirmou que os problemas afetam diretamente a competitividade das agroindústrias.
“Temos queda de tensão, oscilação e interrupção frequente de energia. Isso gera aumento de custos de produção e impacta o preço final dos alimentos”, declarou.
Já o superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, afirmou que 30 indústrias da região de Ponta Grossa registraram, juntas, cerca de 1,2 mil horas de interrupção de energia em 2025.
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