🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Corbélia
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

CNJ lança CriptoJud, sistema que permite rastrear criptoativos de devedores

Ferramenta digital centraliza ordens judiciais e consultas a exchanges para localizar e custodiar criptomoedas no Brasil

Redação · · 3 min de leitura
4
4 — Crédito: Imagem Ilustrativa

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou nesta terça-feira (5) o CriptoJud, um sistema eletrônico inédito que permitirá ao Poder Judiciário consultar e rastrear a existência de criptoativos vinculados a devedores em processos judiciais. A iniciativa representa um novo avanço tecnológico na execução de decisões judiciais, em um cenário de crescente uso de criptomoedas no país.

Inspirado em sistemas como o BacenJud e o atual SisbaJud — que conectam a Justiça ao sistema bancário —, o CriptoJud será um canal digital direto entre o Judiciário e as exchanges, empresas que operam com criptomoedas. A ferramenta elimina a necessidade de envio manual de ofícios a cada corretora, permitindo uma consulta unificada e automatizada com registro de todas as ações realizadas.

De acordo com o CNJ, a implantação ocorrerá gradualmente em tribunais de todo o país, por meio do Portal Jus.br, com cronograma oficial previsto para o dia 12 de agosto. O sistema será integrado à Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ-Br), utilizada por magistrados e servidores.

Entre as funcionalidades previstas estão:

  • Envio automático de ordens judiciais;

  • Custódia judicial de criptoativos em contas vinculadas aos tribunais;

  • Conversão futura dos ativos digitais em reais, para quitação de débitos.

Para o advogado Arthur Mendes Lobo, especialista em direito processual, o CriptoJud representa um importante reforço para a efetividade das decisões judiciais. Ele destaca que a ferramenta poderá ser utilizada em execuções civis e fiscais, medidas cautelares em casos de fraude ou lavagem de dinheiro, e até em processos de recuperação judicial, facilitando a localização de ativos não declarados.

“Com o acesso centralizado às exchanges nacionais, será possível localizar e bloquear ativos digitais de forma mais rápida e segura”, afirma Lobo.

Além disso, o sistema mantém registro auditável das consultas, o que garante transparência e controle por parte dos magistrados e partes envolvidas. Também padroniza a resposta das exchanges, evitando atrasos ou interpretações divergentes quanto às ordens judiciais.

Entretanto, o alcance do CriptoJud está limitado às empresas operadoras de criptoativos sediadas no Brasil. O sistema não abrange carteiras digitais não custodiais, em que o próprio usuário detém as chaves de acesso, nem ativos mantidos em plataformas internacionais.

O desenvolvimento do CriptoJud contou com apoio da Associação Brasileira de Criptoeconomia (Abcripto). Para o presidente da entidade, Bernardo Srur, a nova plataforma resolve problemas recorrentes na entrega e no cumprimento de ordens judiciais:

“O CriptoJud corrige falhas anteriores ao estabelecer um canal único entre o Judiciário e o mercado cripto nacional. Isso traz mais segurança jurídica para todos os envolvidos”, conclui Srur.

Com o lançamento, o Judiciário brasileiro dá mais um passo na adaptação às novas dinâmicas da economia digital, buscando garantir que o avanço da tecnologia não comprometa a efetividade das decisões judiciais. 

 

 
Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.