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China e União Europeia suspendem compra de frango do Brasil temporariamente

Primeiro caso de gripe aviária em granja comercial foi confirmado na cidade de Montenegro no Rio Grande do Sul

Eliane Alexandrino · · 5 min de leitura
Gripe aviária
Gripe aviária — Crédito: Assessoria

Eliane Alexandrino/Cascavel

Após a divulgação da confirmação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a detecção do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em matrizeiro de aves comerciais na cidade de Montenegro no Rio Grande do Sul, a China e União Europeia suspenderam por 60 dias a compra da carne brasileira. A informação do primeiro caso foi confirmada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Cárlos Fávaro em um entrevista a TV Centro América.

O ministro, Fávaro,  também decretou estado de emergência zoossanitária numa área de um raio de 10km, ao redor da granja, por 60 dias. Este é o primeiro caso de gripe aviária detectado em sistema de avicultura comercial no Brasil. Em relação ao RS, o vírus detectado ocorreu em um local de reprodução. As amostras foram coletadas e encaminhadas para um laboratório em Campinas – São Paulo, que confirmou o caso. 

O Departamento de DDA (Vigilância e Defesa Sanitária Animal), da SEAPI (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação) atendeu à suspeita de síndrome respiratória e nervosa de aves, no dia 12 de maio, na avícola, em Montenegro. 

Com a confirmação do foco, o SVO-RS (Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul), desencadeou diversas ações que estão no Plano Nacional de Contingência de Influenza Aviária, como o isolamento da área afetada e eliminação das aves restantes da granja. Também será conduzida uma investigação complementar.

A SEAPI está investigando também  a morte de aves no Zoológico de Sapucaia do Sul, que fica a 50 km da granja. As equipes aguardam o resultado do sequenciamento genético dos animais para confirmar os óbitos com os vírus. 

O SVO-RS reforça que o consumo de carne de aves e ovos armazenados em casa ou em pontos de venda é seguro, já que a doença não é transmitida por meio do consumo. A população pode se manter segura, não havendo qualquer restrição ao seu consumo. O risco de infecções em humanos pelo vírus da gripe aviária é baixo e, em sua maioria, ocorre entre tratadores ou profissionais com contato intenso com aves infectadas (vivas ou mortas).

Segundo dados da ABPA, a produção de carne de frango atingiu 14.972 milhões de toneladas em 2024. Somente no mês de abril deste ano foram exportadas 475 milhões de toneladas e no ano passado, e no ano passado foram 5.295 milhões de toneladas da proteína.

Monitoramento é feito há 25 anos:

Ao longo desses anos, para prevenir a entrada da doença no sistema de avicultura comercial brasileiro, várias ações sempre foram adotadas, como o monitoramento de aves silvestres, a vigilância epidemiológica na avicultura comercial e de subsistência, o treinamento constante de técnicos dos serviços veterinários oficiais e privados, ações de educação sanitária e a implementação de atividades de vigilância nos pontos de entrada de animais e seus produtos no Brasil. Tais medidas foram cruciais e se mostraram efetivas e eficientes para postergar a entrada da enfermidade na avicultura comercial brasileira ao longo desses quase 20 anos. O vírus circulava até então desde 2006 na Ásia, África e Europa.

O que diz a Associação Brasileira de Proteína Animal?

Com relação à identificação de foco de H5N1 em uma granja de aves do município de Montenegro (RS), a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) e a ASGAV (Associação Gaúcha de Avicultura) ressaltam a total transparência do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, juntamente com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul em relação à identificação, comunicação e contenção da situação, que é pontual.

A ABPA e a ASGAV estão apoiando o MAPA e a Seapi neste processo.  Todas as medidas necessárias para o contingenciamento da situação foram rapidamente adotadas, e a situação está sob controle e monitoramento dos órgãos governamentais. 

Ao mesmo tempo, as entidades confiam na rapidez das tratativas que serão adotadas pelo Ministério e pela Secretaria em todos os níveis, de tal forma que qualquer efeito decorrente da situação seja solucionado no menor prazo possível.

Por fim, a ABPA e a ASGAV lembram que a situação em questão - assim como qualquer outra ocorrência da enfermidade em aves - não representa qualquer risco ao consumidor final.

 

Sobre a doença:

A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves silvestres e domésticas, mas também pode acometer humanos, mas o risco é baixo, afirmam os órgãos competentes.

Entre os principais sintomas apresentados nas aves estão dificuldade respiratória no animal, secreção nasal ou ocular, espirros, incoordenação motora, torcicolo, diarreia, e alta mortalidade.

Coopavel não quis se manifestar

A Gazeta do Paraná entrou em contato com a Coopavel, mas a empresa não quis se manifestar sobre o assunto. A empresa é uma das maiores cooperativas de frangos do Sul do Brasil, ativa na exportação de proteína, somente no ano passado exportou 5,294 milhões de toneladas de frango. A cooperativa faz parte do grupo das maiores 20 empresas do Brasil, se encarrega do abate, processamento e exportação. Atualmente conta com 6 mil colaboradores, além de 33 filiais em 23 municípios.

A Coopavel exporta frango para diversos países, entre eles: China, Espanha, Holanda, Japão, Emirados Árabes, por exemplo.

 

Foto: Divulgação 

 

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