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Canetas emagrecedoras: Saúde do Paraná faz alerta sobre riscos do uso sem receita e descarte de agulhas

Uso indiscriminado para fins estéticos pode causar hipoglicemia e pancreatite; Secretaria da Saúde orienta como descartar dispositivos e buscar tratamento gratuito pelo SUS

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
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monjauro — Crédito: Geraldo Bubniak/AEN

O crescimento do uso das chamadas “canetas emagrecedoras” para perda de peso tem acendido alerta entre autoridades de saúde no Paraná. Desenvolvidos originalmente para o tratamento da diabetes tipo 2, esses medicamentos passaram a ser procurados também com finalidade estética, o que levanta preocupações sobre riscos à saúde quando utilizados sem indicação e acompanhamento médico.

Os fármacos atuam retardando o esvaziamento gástrico e estimulando a sensação de saciedade. O emagrecimento ocorre como consequência desse mecanismo, mas não foi a finalidade inicial para a qual foram criados.

“Esses medicamentos são eficazes, se utilizados sob supervisão, com indicação médica e para a finalidade específica de que foi desenvolvida. Usar sem critérios, pode gerar complicações. Por isso, é muito importante tomar o devido cuidado”, afirma o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Apesar da popularização como recurso para emagrecimento, as canetas não são classificadas como drogas anorexígenas e não integram a lista de medicamentos distribuídos pelo Sistema Único de Saúde.

“Não se trata de uma droga anorexígena [inibidora de apetite]. A ação no organismo é a sensação de saciedade. A pessoa come uma torrada no café da manhã e no almoço ainda não sente fome, então, esse emagrecimento acaba sendo um efeito secundário”, explicou o diretor-geral da Secretaria de Estado da Saúde, César Neves.

Riscos do uso indiscriminado

Segundo a Secretaria, o uso por pessoas que não apresentam sobrepeso ou que não estejam em condição de pré-diabetes pode provocar efeitos adversos. Entre eles estão episódios de hipoglicemia, caracterizados por queda acentuada do açúcar no sangue, com sintomas como tremores, tontura, sudorese, fome intensa e confusão mental. Em situações mais graves, há risco de pancreatite, inflamação do pâncreas responsável por funções digestivas e hormonais.

Especialistas reforçam que o tratamento da obesidade envolve avaliação clínica individualizada e que medicamentos não substituem mudanças de estilo de vida e acompanhamento profissional.

Atendimento pelo SUS

No Paraná, pacientes com obesidade podem buscar atendimento gratuito na rede pública de saúde. A orientação é procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde.

“A orientação é para que a pessoa procure atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS), que é a porta de entrada para o atendimento. Se for um paciente que precise de atenção quanto à obesidade, ele será encaminhado para um médico endocrinologista, que vai solicitar um perfil metabólico e dentro disso vai avaliar qual é o melhor tratamento ou medicamento para esse paciente e vai fazer o acompanhamento necessário”, afirmou Neves.

Descarte exige cuidado

Além da discussão sobre o uso adequado, a ampliação do consumo desses medicamentos trouxe outro ponto de atenção: o descarte correto das canetas e agulhas.

Por conterem componentes plásticos, eletrônicos e material perfurocortante com resíduo biológico, esses dispositivos não devem ser descartados no lixo comum ou reciclável. O descarte inadequado pode causar acidentes com trabalhadores da coleta e ainda contaminar o solo e a água.

A recomendação é armazenar agulhas e dispositivos em recipientes plásticos rígidos com tampa rosqueada, como embalagens de amaciante. Quando o recipiente atingir dois terços da capacidade, deve ser fechado, identificado com a frase “resíduo perfurocortante” e entregue em uma Unidade Básica de Saúde, que funciona como ponto de entrega voluntária.

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