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sostenes cavalcante — Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Deputados proíbem sigilo em despesas com viagens e alimentação do governo

Texto barra classificação secreta para gastos de hospedagem, alimentação e passagens de autoridades, incluindo cônjuges e filhos de presidentes; proposta segue para o Senado

Gabriel Porta · · 3 min de leitura

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que impede a classificação como sigilosas de informações relacionadas a despesas de custeio da administração pública, como diárias e passagens. A proposta segue agora para análise do Senado Federal.

O texto é de autoria dos deputados Gustavo Gayer e Marcel Van Hattem e foi aprovado na forma de um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Sóstenes Cavalcante.

A proposta unifica quatro projetos de lei diferentes - PLs 3240/25, 5764/25, 6705/25 e 293/26 - e amplia a proibição de sigilo também para despesas de representação, alimentação, hospedagem, aquisição de bens, locomoção e gastos feitos por meio de cartão corporativo.

O projeto altera a Lei de Acesso à Informação para deixar claro que esse tipo de despesa não poderá mais ser enquadrado em hipóteses de sigilo sob justificativa de segurança institucional ou proteção de autoridades nacionais e estrangeiras. A única exceção prevista envolve detalhes operacionais de deslocamentos, como rotas, escalas, meios de transporte utilizados e quantidade de pessoas envolvidas, sem atingir os valores gastos.

Segundo Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a proposta busca reforçar o princípio da transparência pública e ampliar a fiscalização sobre o uso de recursos públicos.

“A transparência constitui regra geral na atuação administrativa, sendo o sigilo medida excepcional, admitida apenas quando estritamente necessária à proteção da segurança da sociedade ou do Estado”, afirmou o relator.

Durante a discussão em plenário, a deputada Erika Kokay, vice-líder da maioria, defendeu a transparência, mas criticou decisões tomadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ela citou o sigilo imposto aos cartões de vacinação do ex-presidente e de familiares durante a pandemia da Covid-19.

“Somos a favor da transparência, mas há que se falar a verdade: 23% do orçamento de viagens do governo Bolsonaro foi colocado em sigilo também”, declarou.

Já o deputado José Medeiros criticou o atual governo federal e afirmou que diversos pedidos de informação têm sido negados sob justificativa de proteção de dados pessoais.

“Tem sigilo para tudo, desde o cartão de Janja até tudo que se pediu em relação aos palácios do Planalto e da Alvorada”, afirmou o parlamentar.

A proposta também prevê acesso às informações sobre diárias e passagens do presidente e vice-presidente da República, além de cônjuges e filhos, mesmo durante o mandato. Atualmente, a legislação permite que esse tipo de dado permaneça reservado até o fim do mandato presidencial.

Outro trecho do projeto estabelece mudanças na atuação da Comissão Mista de Reavaliação de Informações, órgão do Poder Executivo responsável por analisar a classificação de documentos sigilosos. Pelo texto aprovado, documentos classificados como secretos ou ultrassecretos deverão ser automaticamente desclassificados caso a comissão não delibere sobre eles no prazo de 120 dias.

O substitutivo também retoma um trecho vetado da Lei de Acesso à Informação em 2011, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff, para ampliar o poder do Congresso Nacional sobre decisões de sigilo. Pela proposta, Câmara e Senado poderão revisar classificações feitas pelo Executivo por meio da aprovação de decreto legislativo.

Além disso, o texto passa a considerar improbidade administrativa a imposição de sigilo com objetivo de obter benefício pessoal ou ocultar atos ilegais. Nesses casos, a medida poderá configurar crime de responsabilidade contra a administração pública, com possibilidade de perda do cargo e inelegibilidade por até cinco anos para presidente da República ou ministros de Estado.

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