ANTT admite que free flow no Lote 4 foi implantado sem autorização prévia
Resposta a pedido de informações feito por deputados aponta que sistema não teve aval formal da agência antes da instalação dos pórticos
No documento, assinado pelo superintendente de Concessão da Infraestrutura da ANTT, Marcelo Cardoso Fonseca, a agência afirma que não houve qualquer autorização prévia para a implementação do sistema no Lote 4. O texto reforça que eventual adoção do modelo está condicionada à apresentação de estudos técnicos à ANTT, o que, segundo a própria manifestação, não havia ocorrido até o momento da resposta.
A informação reforça o questionamento feito pelos parlamentares de que a instalação de pórticos eletrônicos para cobrança automática de pedágio em diversas regiões do Paraná estaria em desacordo com o Programa de Exploração da Rodovia (PER) e com os termos do contrato de concessão do Lote 4, assinado no início de fevereiro.
Na mesma resposta, a ANTT esclarece que a concessionária pode substituir praças físicas por pórticos eletrônicos, desde que seja mantido o equilíbrio econômico-financeiro do contrato. O item 19.6.1 do documento contratual estabelece a obrigatoriedade de elaboração de estudos para avaliar a vantajosidade da medida e definir a precificação dos investimentos necessários à implementação da estrutura de equipamentos e sistemas para viabilizar a cobrança na modalidade free flow.
Para os deputados, essas exigências não foram cumpridas nem devidamente publicizadas.
“Se não há autorização prévia da ANTT, como prevê a documentação do processo licitatório, por que a concessionária está instalando pórticos antes mesmo do início da operação? O PER indica que não havia previsão para isso neste momento e as condições prévias não estão sendo cumpridas. Esses pórticos vão ficar parados até que todo o processo seja regularizado?”, questionou Evandro Araújo.
Segundo o parlamentar, a instalação dos equipamentos teria ocorrido antes mesmo da formalização do contrato. “A empresa decidiu instalar os pórticos eletrônicos antes da assinatura contratual, o que gerou preocupação em diversas regiões, inclusive entre moradores próximos aos equipamentos, que temem pagar tarifa cheia sempre que utilizarem a rodovia”, afirmou.
Tercílio Turini também manifestou preocupação com a condução do processo. “As concessionárias iniciaram esse procedimento de forma preocupante no Paraná, e a população está apreensiva com o que pode ocorrer ao longo dos contratos. Esperamos que a concessionária e a ANTT façam as correções necessárias. Caso contrário, poderá haver descumprimento de cláusulas contratuais”, declarou.
Ação popular
De acordo com Araújo, a resposta oficial da ANTT será um dos principais fundamentos de uma Ação Popular que será protocolada na Justiça Federal. A iniciativa é de Evandro Araújo e do deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) e já conta com o apoio de outros parlamentares.
“Queremos que o contrato seja cumprido à luz do interesse público, e não apenas sob a ótica das empresas. Já realizamos diversas ações nesse sentido, de forma individual e coletiva, mas a Ação Popular é um instrumento legal e constitucional para reparar atos lesivos ao interesse público. Entendemos que é exatamente isso que está ocorrendo com a instalação dos pórticos”, afirmou Araújo.
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