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“Quero pagar, só não tenho dinheiro”: mulher vive escondida após ameaças de agiota

Empregada doméstica relata desespero após dívida com agiota se transformar em terror psicológico; caso é investigado pela Polícia Civil

Redação/Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Uma mulher de 42 anos vive um verdadeiro pesadelo em Campo Grande (MS) após contrair uma dívida com um agiota. Desde que começaram as ameaças, ela deixou a própria casa e passou a viver escondida, temendo por sua vida e pela segurança de pessoas próximas.

“Ameaçaram pegar minha amiga e a família dela. Disseram que iam colocar fogo onde eu moro”, relatou a vítima em entrevista.
“Vontade de pagar eu tenho, só não tenho dinheiro.”

Dívida virou terror

A mulher, empregada doméstica, afirma que recorreu ao agiota após passar dificuldades para pagar o aluguel. A indicação veio de uma amiga. Sem exigência de garantias, ela pegou dois empréstimos de R$ 2 mil, cada um com juros altos: R$ 900 no primeiro e R$ 950 no segundo. Os pagamentos estavam combinados para os dias 8 e 20 de cada mês.

À época, ela estava empregada com carteira assinada e acreditava que conseguiria pagar, mas acabou sendo demitida e passou a trabalhar por diárias. O dinheiro começou a faltar.

“Tentei negociar, mas ele ameaçou ir no meu trabalho e tomar o carro do meu patrão. Fiquei desesperada e peguei mais R$ 2 mil com um amigo para pagar os juros. Depois, mais R$ 4 mil. Mesmo assim, ele continuava cobrando, com os juros aumentando a cada atraso.”

Medo constante e fuga

A vítima relata que vem pagando a dívida há cerca de um ano, mesmo sem conseguir manter os pagamentos em dia. Por medo das ameaças, ela passou a aceitar tudo o que o agiota exigia. “Teve mês que eu paguei certinho, mas agora não dá mais. Vivo fugindo.”

Na última segunda-feira (9), ela registrou boletim de ocorrência na 3ª Delegacia de Polícia Civil. O agiota chegou a mandar mensagens ameaçadoras, afirmando que colocaria fogo na casa com ela dentro, caso o valor não fosse pago até às 19h30.

Mesmo após a denúncia ter sido divulgada pela imprensa, o agressor continuou enviando mensagens. “Disse que ia me denunciar às autoridades. Mas quem está sendo ameaçada sou eu.”

Investigação e incerteza

O caso foi registrado como ameaça e está sob investigação. Enquanto isso, a vítima não pode voltar para casa. “Tenho dois cachorros lá, preciso cuidar deles, viver minha vida. Mas eles ficam vigiando a frente da minha casa, vendo que horas eu saio ou chego. É assustador.”

Ela conclui com um pedido que revela mais desespero do que negação: “Quero pagar, só não tenho dinheiro”.

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