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Operação Big Fish prende vereadores e desarticula esquema bilionário de jogos ilegais no Paraná

Investigação revela organização com atuação nacional, uso de tecnologia e movimentação de cerca de R$ 2 bilhões

Eliane Alexandrino · · 2 min de leitura
Vereadores são presos em operação
Vereadores são presos em operação — Crédito: Divulgação

A Operação Big Fish, deflagrada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) em conjunto com a Polícia Civil, resultou na prisão de dois vereadores e desarticulou uma das maiores organizações criminosas voltadas à exploração de jogos ilegais no estado. A ação foi concluída nesta quarta-feira (8).

Entre os presos estão o presidente da Câmara de Cianorte, Victor Hugo Davanzo, e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, Marcelo Gaúcho. Para os investigadores, as detenções indicam a presença e influência do grupo dentro de estruturas do poder público.

Ao todo, foram cumpridos 85 mandados de prisão preventiva e 102 mandados de busca e apreensão contra 90 investigados. Cianorte, no Noroeste do Paraná, foi apontada como o principal centro de operação da organização, concentrando a maior parte das ações policiais.

A operação também se estendeu a diversas cidades do Paraná, como Londrina, Apucarana, Campo Mourão, Curitiba e região Oeste, além de estados como São Paulo, Goiás, Pará e Santa Catarina, evidenciando o alcance interestadual do esquema.

De acordo com o MPPR, a organização possuía estrutura sofisticada e divisão por núcleos, incluindo liderança, financeiro, tecnológico e operacional. Um dos principais diferenciais era o uso de um sistema próprio, denominado “Suni”, que permitia o gerenciamento em tempo real das apostas ilegais realizadas por meio de máquinas eletrônicas.

A plataforma integrava bancas do jogo do bicho em pelo menos 14 estados, somando mais de 15 mil pontos de operação. Além disso, o grupo também atuava com máquinas caça-níquel, apostas esportivas e jogos online ilegais, muitos deles hospedados em servidores no exterior.

As investigações apontam ainda a utilização de empresas de fachada, laranjas e intermediadores financeiros para ocultar a origem dos valores. O volume movimentado pelo grupo chega a cerca de R$ 2 bilhões, distribuídos em mais de 522 mil transações.

Como parte das medidas judiciais, foram determinadas 184 ordens de bloqueio de contas bancárias, com o objetivo de sequestrar aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Também houve o sequestro de 132 veículos, avaliados em mais de R$ 11 milhões, 111 imóveis estimados em R$ 32,9 milhões e mais de 100 cabeças de gado. Além disso, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar.

Para o Ministério Público, a operação representa um avanço no combate ao crime organizado e à exploração ilegal de jogos, prática que movimenta grandes volumes de recursos e impacta diretamente a economia formal.

Foto: Divulgação

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