🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo
Opinião › Nacional

Reviravolta: voto do exterior esmaga a esquerda no Peru e direita pode virar no final

A matemática que pode mudar tudo: Lima, Cusco e o exterior

Oswaldo Eustáquio · · 4 min de leitura
Keiko pode virar
Keiko pode virar — Crédito: Reprodução

 

Os votos que vieram de fora do Peru estão derrubando a narrativa da esquerda.

Com quase 96% das atas apuradas no território nacional, Roberto Sánchez, candidato de Juntos por el Perú, abriu uma vantagem mínima sobre Keiko Fujimori — 50,06% contra 49,94%. Uma diferença de cerca de 20 mil votos num universo de quase 19 milhões.

Isso é menos que uma fração de ponto percentual.

Agora chegou o voto exterior. E ele conta uma história completamente diferente.


Os números que a esquerda não queria ver

Entre os peruanos que vivem fora do país, Keiko Fujimori está destruindo Sánchez.

Nos votos do exterior já contabilizados, a candidata da direita tem 56% contra menos de 44% do candidato da esquerda. No continente americano, a proporção é ainda mais brutal: 68% para Keiko, 31% para Sánchez.

Pensa no que isso significa.

Os peruanos que saíram do Peru — que fugiram da pobreza, da insegurança, do fracasso do Estado — votaram esmagadoramente na direita. Eles conhecem o que a esquerda faz quando chega ao poder. Viveram na pele. E disseram não.


A matemática que pode mudar tudo: Lima, Cusco e o exterior

Vamos aos números concretos. Porque é aqui que a eleição pode virar.

Em Lima — o maior colégio eleitoral do Peru — faltam ainda quase 4% das atas a serem apuradas. No ritmo atual, se o fluxo se mantiver, Keiko deve fazer na capital cerca de 50 mil votos a mais que Sánchez nessa fatia que falta. Cinquenta mil. Numa eleição onde a diferença hoje é de 20 mil votos.

Isso já inverte o resultado.

A esquerda tem um trunfo: Cusco, reduto histórico do voto andino e popular. Faltam cerca de 10% das atas da região. Se Sánchez manter o desempenho que teve lá, pode colher em torno de 20 mil votos de vantagem sobre Keiko nesse bloco restante.

Faz a conta.

50 mil de Keiko em Lima. Menos 20 mil de Sánchez em Cusco. Saldo líquido potencial para a direita: 30 mil votos. Numa eleição onde a diferença atual é de 20 mil votos favorável à esquerda.

E ainda não entrou o voto do exterior.

Com 56% no exterior já apurado, e com a diáspora peruana votando 68% por Keiko nas Américas, o saldo do voto estrangeiro pode ser decisivo. Os votos que faltam lá fora podem somar mais alguns milhares ao lado de Keiko — e fechar o cerco sobre a esquerda.

A direita não perdeu. A disputa ainda não acabou.


E tem os presos

Não esqueça: 11 pessoas foram detidas no domingo suspeitas de adulterar cédulas e atas eleitorais em Los Olivos e San Martín de Porres — dois distritos de Lima.

Entre os detidos, um personeiro ligado ao partido de Sánchez.

As cédulas adulteradas tinham riscos no símbolo do partido da esquerda. Alguém estava tentando invalidar votos. A investigação segue. Os mandantes ainda não foram identificados.

Numa eleição decidida por 20 mil votos, qualquer ata fraudada tem peso.


O que está em jogo para a América Latina

O Peru não é uma eleição qualquer.

É a fronteira entre dois modelos de civilização que disputam o continente. De um lado, a direita que aposta no livre mercado, na segurança, na soberania nacional. Do outro, uma esquerda que em cada país onde chegou ao poder deixou rastro de miséria, censura e autoritarismo.

Argentina resistiu com Milei. El Salvador resistiu com Bukele. O Brasil está de olho.

Se Keiko confirmar a virada — e os números do exterior apontam nessa direção — o Escudo das Américas se fortalece. A onda que começou com a queda do petismo no Brasil em 2016 continua.

Se a esquerda vencer, mesmo com suspeitas de fraude, com investigados soltos e com a apuração sendo contestada, o recado que o continente recebe é outro.

E nós, brasileiros, sabemos exatamente como esse recado termina.


Aqui o jornalista Oswaldo Eustáquio, do alto do meu segundo exílio — por enquanto.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.