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Ratinho, explique a Celepar

Pressa para privatizar a Celepar, decisão do STF apontando irregularidades e um negócio que pode render bilhões a quem comprar levantam suspeitas e exigem explicações públicas do governo do Paraná

Marcos Formighieri · · 3 min de leitura
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. — Crédito: Imagem gerada com IA

Eu vou falar de forma bem objetiva, como sempre faço. Não estamos aqui para enganar nossos leitores nem os internautas que acompanham o programa. Quando aparece essa pressa toda para vender um patrimônio público como a Celepar, é preciso dizer claramente: isso cheira a maracutaia. E quando cheira a maracutaia, o povo tem o direito de suspeitar que pode haver roubalheira.

Sim, eu disse isso e repito.

O governador Ratinho Junior precisa explicar por que quer vender a Celepar a qualquer custo. Mesmo depois da decisão do ministro Flávio Dino apontando irregularidades no processo. Mesmo depois de toda a polêmica que envolve essa empresa pública que guarda dados e informações sensíveis de todos os paranaenses.

E o governador precisa explicar também a justificativa que ele mesmo deu. Ratinho disse que a Celepar precisa ser vendida para não se transformar em um novo Correios. Pois bem. Eu pego as palavras dele e faço a dedução lógica. Os Correios chegaram à situação em que chegaram porque foram roubados. Não foi apenas má gestão. Houve roubalheira. Então quando o governador usa esse exemplo para justificar a venda da Celepar, a pergunta surge naturalmente: ele está dizendo que a Celepar também está sendo roubada?

Eu não estou afirmando. Estou deduzindo a partir das palavras dele. Se os Correios quebraram porque foram roubados e se a Celepar precisa ser vendida para não virar um novo Correios, então fica a pergunta: o que está acontecendo dentro da Celepar? Ratinho, investigue isso. Ou venha a público e nos desminta. Tenha coragem de dizer que não falou isso. Só que tem um detalhe: há vídeo. Está gravado.

Agora vamos aos números.

O próprio governador disse que a Celepar está avaliada em cerca de 1 bilhão e 300 milhões de reais. Muito bem. Só que existem contratos firmados com diversos órgãos públicos que somam valores muito maiores. A Prefeitura de Curitiba, por exemplo, tem contrato com a Celepar de cerca de 120 milhões. Há contratos com o Detran, com órgãos do Estado, com municípios. Basta acessar o Portal da Transparência para ver. Ou seja, alguém pode comprar uma empresa por cerca de 1,3 bilhão e já entrar com contratos que somam bilhões.

Que negócio extraordinário. Extraordinário para quem compra. Mas será que é bom para o Paraná?

Essa história já aconteceu antes. Basta lembrar do Banestado. O banco foi entregue e o Estado ficou com a conta. Uma conta gigantesca que os paranaenses pagaram durante décadas. Então eu repito aqui o que venho dizendo. Ratinho, explique. Explique quem quer comprar a Celepar. Explique por que essa pressa toda. Explique por que insistir em vender um patrimônio público estratégico. Porque quando aparece pressa demais, silêncio demais e justificativas fracas, o povo começa a desconfiar. E quando o povo começa a desconfiar, é porque alguma coisa está errada.

 
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