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Pesquisa Itaipu
Pesquisa Itaipu — Crédito: Felipe Chiaretti/ Itaipu Parquetec

Projeto Hidrosfera: Parceria entre Itaipu e UFPR revela segredos do Aquífero Serra Geral

Iniciativa desenvolvida pela Itaipu Binacional, Itaipu Parquetec e UFPR mapeia o comportamento dos recursos hídricos invisíveis e alerta para a importância da gestão sustentável na região

Gabriel Porta · · 3 min de leitura

A água subterrânea, invisível para grande parte da população, é responsável por sustentar o abastecimento de cidades inteiras e ganha cada vez mais atenção em estudos voltados à segurança hídrica. No Oeste do Paraná, uma pesquisa desenvolvida ao longo de oito anos vem ampliando o entendimento sobre esse recurso estratégico e sua relação com o meio ambiente e as atividades humanas.

O chamado Projeto Hidrosfera estruturou um modelo hidrogeológico que reúne informações sobre quantidade, qualidade e comportamento das águas subterrâneas, com foco no Aquífero Serra Geral, localizado na região da Bacia Paraná 3. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Itaipu Binacional, o Itaipu Parquetec e a Universidade Federal do Paraná, por meio do Laboratório de Pesquisas Hidrogeológicas.

Na prática, o estudo permite compreender como a água subterrânea interage com fatores como chuva, rios, uso do solo e ações humanas. Essas informações ajudam a prever cenários de escassez, orientar o uso sustentável dos recursos e subsidiar políticas públicas voltadas à gestão hídrica.

Segundo o gestor do convênio pela Itaipu, Lucas Henrique Garcia, os resultados já possibilitam identificar padrões importantes no comportamento da água. “Conseguimos entender como a água subterrânea interage com a água da chuva, com os rios e também com a influência da sociedade no território. Isso é essencial, porque essa água abastece boa parte da população”, afirmou.

A evolução do projeto também trouxe avanços na forma de produzir e compartilhar conhecimento. De acordo com o professor de Geologia da UFPR e coordenador da pesquisa, Gustavo Barbosa Athayde, houve investimento na aproximação com a sociedade. “Nossa grande contribuição nesse segundo ciclo foi aperfeiçoar os métodos analíticos e, principalmente, chegar mais perto da sociedade. Produzimos atlas, cartilhas, criamos um site e fortalecemos a comunicação científica para que esse conhecimento não fique restrito à academia”, destacou.

Além da produção científica, o projeto também aposta na divulgação de informações de forma acessível, com materiais educativos como cartilhas e documentários. A proposta é tornar o tema mais compreensível para a população e ampliar o debate sobre a importância da preservação dos recursos hídricos.

Para a pesquisadora do Itaipu Parquetec, Bianca do Amaral, esse esforço já começa a gerar impacto. “O que percebemos é que, com a interação da sociedade, as águas subterrâneas estão se tornando cada vez menos invisíveis para a população, gestores públicos e tomadores de decisão”, afirmou.

No Oeste do Paraná, a relevância do tema é ainda maior. Cerca de 89% do abastecimento público depende diretamente das águas subterrâneas, o que reforça a necessidade de estudos aprofundados e estratégias de gestão eficiente.

Ao integrar ciência, tecnologia e comunicação, o Projeto Hidrosfera se consolida como uma das principais iniciativas do país voltadas ao estudo de aquíferos fraturados, contribuindo para uma abordagem mais preventiva e sustentável no uso da água.

Os resultados completos e materiais de divulgação científica estão disponíveis ao público em plataforma digital do projeto, ampliando o acesso à informação e incentivando a conscientização sobre um recurso essencial, embora muitas vezes pouco percebido no cotidiano.

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