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Phil Spencer deixa o Xbox após 38 anos na Microsoft; Asha Sharma assume Microsoft Gaming

Saída marca reestruturação histórica na divisão de jogos; nova CEO promete foco em grandes franquias, fortalecimento da marca Xbox e aposta no futuro do entretenimento interativo.

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
phil spencer
phil spencer — Crédito: Bruno Araújo / G1

A Microsoft anunciou uma mudança significativa na liderança de sua divisão de games. Phil Spencer deixará o comando da Microsoft Gaming na próxima segunda-feira,(23), encerrando uma trajetória de 38 anos na companhia, sendo 12 deles à frente do Xbox.

A substituição já está definida. Asha Sharma assume como nova CEO da Microsoft Gaming. A executiva liderava anteriormente a área de CoreAI da empresa. No mesmo movimento, Sarah Bond, presidente do Xbox, também deixou a companhia. Já Matt Booty foi promovido a Chief Content Officer, ampliando sua responsabilidade sobre os estúdios.

A informação foi confirmada internamente e ocorre em meio ao que a própria companhia descreve como um momento estratégico para o futuro do setor de entretenimento digital.

Transição planejada e apoio de Satya Nadella

O CEO da Microsoft, Satya Nadella, destacou a importância de Spencer para a expansão da marca além dos consoles. Segundo ele, o executivo teve papel central na consolidação do Xbox no PC, na nuvem e no mobile, transformando a divisão em um ecossistema multiplataforma.

Spencer afirmou que vinha discutindo sua saída desde o terceiro trimestre do ano passado. Ele permanecerá em um papel consultivo até o meio do ano para garantir estabilidade na transição.

Ao longo de sua gestão, o Xbox deixou de depender exclusivamente do hardware e passou a apostar fortemente em serviços e assinaturas, com destaque para o Xbox Game Pass, que se tornou o pilar estratégico da operação.

A nova estratégia sob comando de Asha Sharma

Em sua primeira mensagem como CEO da Microsoft Gaming, Asha Sharma estabeleceu três prioridades.

A primeira é o foco absoluto em jogos. Segundo a executiva, a empresa precisa priorizar títulos com forte identidade criativa, personagens marcantes e inovação em jogabilidade. Ela afirmou que a companhia continuará investindo tanto em franquias consolidadas quanto em novas propriedades intelectuais, com abertura para riscos e novos modelos de negócio.

O segundo ponto é o reforço da identidade do Xbox junto aos fãs históricos. Sharma sinalizou que o console seguirá como elemento central da marca, mesmo diante da expansão para múltiplas plataformas. A estratégia inclui integração mais fluida entre console, PC, dispositivos móveis e jogos em nuvem.

O terceiro eixo envolve o futuro do setor, incluindo inteligência artificial e novos formatos de monetização. A executiva ressaltou que os jogos continuarão sendo tratados como obras criadas por pessoas, mesmo com o avanço tecnológico. Segundo ela, a empresa não buscará ganhos rápidos que comprometam a identidade criativa dos estúdios.

O legado de Phil Spencer no Xbox

Spencer assumiu o comando do Xbox em 2014, após o lançamento conturbado do Xbox One. Entre as primeiras decisões esteve a retirada da obrigatoriedade do Kinect no pacote do console, o que reduziu o preço e ajudou a reposicionar a marca no mercado.

Durante sua gestão, a Microsoft promoveu movimentos considerados estratégicos para fortalecer o catálogo de jogos. Em 2020, adquiriu a ZeniMax Media, controladora da Bethesda. Dois anos depois, concluiu a compra da Activision Blizzard em um acordo avaliado em US$ 69 bilhões, uma das maiores aquisições da história da indústria de tecnologia.

Sob seu comando também foram lançados o Xbox Series X e o Xbox Series S, consolidando a estratégia de dois consoles com diferentes faixas de preço e ampliando o alcance da base instalada.

A saída de Spencer marca o fim de um ciclo iniciado ainda na década de 1980 e abre uma nova fase para a Microsoft Gaming, em um momento de transformação acelerada no mercado global de jogos digitais.

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