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Maquiagem, arte e polêmica: quando criar também é resistir

Desde a infância, Danlismo encontrou na arte uma forma de expressão; hoje, mistura maquiagem, personagens e produção visual para transformar experiências em criação

Julia Maraschi · · 5 min de leitura
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... — Crédito: Divulgaçaõ

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O que uma criança faz quando encontra na arte uma forma de dizer aquilo que não consegue colocar em palavras? Para Danlismo, ela desenha, cria e transforma a própria imaginação em personagens. Desde pequeno, o artista encontrou nos lápis, tintas e outros materiais uma maneira de se expressar e, anos depois, levou essa mesma criatividade para a maquiagem, as artes plásticas e a internet. Em entrevista ao Mais, ele contou como a arte deixou de ser apenas uma ferramenta de expressão e passou a fazer parte de sua identidade.

A arte antes do artista

Danliismo teve seu primeiro contato com a arte na infância, quando tinha cerca de três anos. O entrevistado conta que ganhou da mãe um pacote de folhas e uma caixa de lápis com 12 cores, e foi a partir dali ele começou a desenhar. O que inicialmente eram rabiscos logo ganhou outra dimensão: Danlismo passou a prestar atenção aos detalhes e a tentar representar pessoas de maneira cada vez mais próxima da realidade. Até os desenhos de palito eram rejeitados pelo pequeno artista, que preferia desenhar braços, mãos e dedos com o máximo de detalhes que conseguia.

As cores também ganharam espaço nesse processo. Danlismo conta que sempre gostou de experimentar diferentes combinações e que essa relação permanece presente em sua produção artística até hoje. A criatividade, porém, não ficou restrita ao papel. Conforme crescia, o desenho passou a assumir uma função ainda mais importante: tornou-se uma maneira de expressar aquilo que ele não conseguia colocar em palavras.

Quando a arte virou refúgio

O artista conta que, além do gosto pela arte, ela também se tornou um refúgio. Como alguém que teve a infância marcada pelo bullying devido ao próprio corpo e por ter sido uma criança afeminada, além dos problemas familiares em que estava inserido, os materiais de arte deixaram de ser apenas instrumentos para desenhar e passaram a funcionar como uma espécie de refúgio. Lápis, canetinhas, tintas e massas de modelar se transformaram em ferramentas para colocar para fora sentimentos que, segundo ele, não tinha com quem compartilhar. “Eu tinha arte para me expressar”, resume. A partir dessa relação, a criação artística deixou de ser apenas uma brincadeira de criança e passou a ocupar um espaço permanente em sua vida.

Do desenho a maquiagem

Com o passar dos anos, a relação de Danlismo com a arte deixou de estar concentrada apenas no papel e passou a ocupar diferentes formas de criação. O desenho abriu caminho para a maquiagem, para a produção de headpieces e para a construção de personagens, permitindo que ele explorasse o próprio corpo como parte da obra. A mistura entre técnicas e linguagens se tornou uma característica de seu trabalho, em que cores, formas e elementos visuais são utilizados para transformar ideias em imagens.

A maquiagem, nesse processo, deixou de ser apenas um complemento estético e passou a integrar a criação artística. Cada produção permite que Danlismo experimente diferentes identidades e possibilidades visuais, combinando a experiência adquirida com o desenho à construção de personagens. Os headpieces, por sua vez, ampliam essa composição e ajudam a criar figuras que ultrapassam a aparência cotidiana. O desenho continua presente, mas agora dialoga com a maquiagem, a caracterização e a criação de personagens, formando uma linguagem própria que permite a Danlismo continuar fazendo aquilo que descobriu ainda pequeno: criar para se expressar.

Uma estética para chamar atenção

A presença de Danlismo nas redes sociais também nasceu da vontade de experimentar diferentes formas de expressão. As produções consideradas por ele como “estranhas”, a maquiagem, os personagens e os elementos visuais passaram a fazer parte de uma identidade própria, que chama atenção justamente por fugir do que é convencional. A estética se tornou, além de uma forma de criação artística, uma maneira de se apresentar e estabelecer uma identidade diante do público.

Esse processo ganhou força quando Danlismo conheceu o reality “Corrida das Blogueiras”, que despertou seu interesse pela produção de conteúdo para a internet. A partir da inspiração no programa, ele começou a perceber que poderia transformar aquilo que já fazia artisticamente em conteúdo e compartilhar suas criações com outras pessoas.

Entre maquiagens, personagens e produções cada vez mais elaboradas, Danlismo encontrou nas redes um espaço para experimentar e mostrar seu trabalho. A internet passou, então, a funcionar não apenas como vitrine, mas como uma extensão de sua própria linguagem artística.

Mais do que uma imagem

Hoje, Danlismo reúne diferentes formas de arte em uma mesma linguagem. O que começou ainda na infância, com lápis, folhas e a necessidade de se expressar, ganhou novas possibilidades por meio da maquiagem, dos personagens, dos headpieces e da produção de conteúdo para as redes sociais. Cada criação carrega um pouco dessa trajetória e da liberdade que ele encontrou na arte para transformar aquilo que sente em algo que pode ser visto.

Mais do que construir uma estética ou chamar a atenção, Danlismo encontrou na criação uma maneira de ocupar espaços e mostrar que a arte pode assumir diferentes formas. Da criança que recusava os desenhos de palito ao artista que transforma o próprio rosto e o corpo em tela, permanece a mesma vontade: criar, experimentar e se expressar.

 

 

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