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Leia Mulheres Cascavel celebra sete anos com 66 autoras de 17 países e cinco continentes

Coletivo promove encontros gratuitos em Cascavel e já debateu 66 livros de autoras de 17 países desde sua criação, em 2019

Gazeta do Paraná · · 2 min de leitura
Leia Mulheres
Leia Mulheres — Crédito: Divulgação

Criado em abril de 2019 pelas mediadoras Juliana Matos, cientista social e professora, e Regina Krauss, jornalista, o Leia Mulheres Cascavel nasceu com a proposta de incentivar a leitura de obras escritas por mulheres e questionar sua ausência e sub-representação no campo da cultura. O coletivo promove encontros mensais, gratuitos e abertos ao público, sempre aos sábados, em espaços culturais da cidade. Atualmente o grupo se encontra no Sesc/PR.

Ao longo de sete anos, o grupo construiu uma curadoria literária marcada pela diversidade e pela ampliação de repertório. Já foram debatidos 66 livros de autoras de 17 países e dos cinco continentes, selecionados a partir de critérios como diversidade geográfica, etnias, orientação sexual, gêneros literários, acesso aos meios de publicação, valor acessível das obras e, claro, autoria feminina. 

Nesse percurso, mais de 65% das escritoras lidas são contemporâneas, e cerca de um terço são mulheres negras. Romance, poesia, teatro, autobiografia, teoria, jornalismo literário, contos, quadrinhos, ficção científica, terror, literatura infantojuvenil e ensaio fazem parte de uma programação que busca ampliar o contato do público com diferentes formas de escrita produzidas por mulheres.  “Nosso desafio é sempre conhecer autoras novas ou redescobrir livros que mereciam estar circulando por aí na mão de todo mundo”, afirma Regina Krauss.

A trajetória do Leia Mulheres Cascavel também reflete mudanças nas discussões propostas ao longo dos anos. Se, no início, obras como Um teto todo seu, de Virginia Woolf, e O conto da aia, de Margaret Atwood, ajudaram a formular perguntas sobre quem pode escrever, de onde se escreve e quais temas são legitimados, a partir de 2020 a curadoria passou a incorporar de forma mais explícita debates sobre interseccionalidade, raça, classe, gênero e sexualidade, com autoras como bell hooks, Joice Berth, Conceição Evaristo, Han Kang e Amara Moira. O Brasil e a América Latina ocupam papel central na seleção, mas narrativas vindas da Ásia, África e Oriente Médio também ampliaram as formas de pensar e narrar o mundo, em um percurso que, segundo as organizadoras, é também um exercício coletivo de escuta, presença e formação.

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