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Há 55 milhões de anos, crocodilos depositavam ovos na Austrália

Fósseis de cascas de ovos revelam répteis ‘queda-crocs’, um grupo australiano extinto que antecedeu os crocodilos atuais

Gabriel Porta · · 2 min de leitura
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arqueologia — Crédito: Getty Images

Pesquisadores identificaram no interior de Queensland, Austrália, o que podem ser as cascas de ovos de crocodilianos mais antigas já encontradas no país. As cascas foram encontradas num depósito fóssil em Murgon, cerca de 270 km a noroeste de Brisbane, originalmente coletadas na década de 1990 e somente recentemente engrenadas em estudo que determinou sua idade em cerca de 55 milhões de anos.

As análises indicam que os ovos pertenciam a um grupo extinto de crocodilos conhecidos como mekosuchines, mais especificamente ao gênero Kambara, que viveu muito antes da chegada dos crocodilos-marinho ou de água doce modernos à Austrália, há aproximadamente 3,8 milhões de anos.

Crocodilos ancestrais

Esses animais eram estranhos aos olhos atuais: alguns pesquisadores sugerem que partes desse grupo tinham comportamento arborícola, sendo apelidados de “queda-crocs” porque poderiam escalar árvores e saltar sobre presas abaixo.

A estrutura das cascas de ovos revela uma microestrutura bastante distinta das dos crocodilos modernos — o que reforça a ideia de que essa linhagem era única. Os fósseis de ovo preservaram sinais biológicos e ambientais capazes de indicar não apenas que tipo de animal os produziu, mas também onde e como se aninhava.

Os autores sugerem que os ovos deveriam ser considerados de rotina na paleontologia, ao lado de ossos e dentes — raramente se dá atenção sistemática ao material de ovos fósseis, apesar de seu valor informativo.

A descoberta sustenta que, há dezenas de milhões de anos, esses crocodilianos já eram abundantes, ocupando ecossistemas australianos que mais tarde seriam dominados por outras formas do grupo. O evento marca, portanto, tanto um vestígio de biodiversidade perdida quanto uma janela para entender como os ancestrais dos répteis atuais viviam, se reproduziam e dominavam ambientes diferentes dos de hoje.

Esse tipo de evidência muda a percepção sobre a história desses répteis no continente: embora hoje a Austrália tenha crocodilos-marinho ou‐de-água doce como símbolos de sua fauna, no passado remoto o território abrigou uma diversidade agora extinta — e essa descoberta mostra que a reprodução desses animais foi parte integrante dessa história antiga.

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