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Carnaval 2026: segunda noite do Grupo Especial leva duas últimas campeãs do Rio de Janeiro à Sapucaí

Fé, biografias e resistência cultural marcam a segunda noite, que reúne campeãs recentes

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Beija-Flor
Beija-Flor — Crédito: Eduardo Hollanda

O Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro volta à Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira (16) para o segundo dia de desfiles. Ontem, desfilaram Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira.

Outras quatro escolas entram na avenida a partir das 22h da noite em busca do título do carnaval carioca.

Entre os destaques da noite estão a atual campeã Beija-Flor de Nilópolis e a Unidos do Viradouro, vencedora recente de dois campeonatos.

A apuração acontece na quarta-feira (18), às 16h, com transmissão da Globo. As seis primeiras colocadas garantem vaga no desfile das campeãs, marcado para sábado (21).

Confira as escolas, enredos e ordem de apresentação:


Foto: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

1ª — Mocidade Independente de Padre Miguel

Enredo: “Rita Lee — a padroeira da liberdade”

Após terminar na penúltima posição em 2025, a escola busca recuperação apostando em um enredo biográfico sobre Rita Lee.

O desfile acompanha a trajetória da artista desde a juventude rebelde, quando rompe padrões ao entrar no universo do rock, até a consolidação como símbolo de liberdade criativa. A narrativa passa pela fase com Os Mutantes, período de experimentação musical ligado ao contexto político da ditadura, e segue para a carreira solo marcada por irreverência e crítica social.

A proposta também aborda censura, prisão e perseguições sofridas pela cantora, além do impacto cultural de suas letras ao tratar desejo, autonomia feminina e comportamento sem tabus. A escola pretende transformar o rock em linguagem carnavalesca para contar a história de uma artista vista como voz de libertação.


Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

2ª — Beija-Flor de Nilópolis

Enredo: “Bembé”

Atual campeã, a escola tenta o bicampeonato homenageando o Bembé do Mercado, tradicional celebração religiosa realizada em Santo Amaro da Purificação, na Bahia.

O desfile contará a origem da festa após a abolição da escravidão, quando comunidades negras ocuparam o espaço público para manifestar fé, memória e identidade. A avenida deve se transformar simbolicamente em mercado e terreiro ao mesmo tempo, mostrando comércio, cotidiano e espiritualidade convivendo.

A narrativa inclui manifestações culturais do Recôncavo Baiano, como samba de roda, capoeira e rituais aos orixás. O ponto central será o cortejo com oferendas às águas, dedicado a divindades como Yemanjá e Oxum, representando resistência religiosa e celebração coletiva da ancestralidade.


Foto: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

3ª — Unidos do Viradouro

Enredo: “Pra cima, Ciça”

Campeã em 2024, a escola homenageia o mestre de bateria Mestre Ciça, personagem marcante em sua história recente.

O enredo percorre a trajetória do músico dentro do carnaval, mostrando sua passagem por diferentes funções, passista, ritmista, mestre-sala e mestre de bateria, como representação da própria vida dentro de uma escola de samba.

Também serão destacadas suas inovações rítmicas e passagens por outras agremiações tradicionais, além dos títulos conquistados. A proposta é contar o carnaval a partir do olhar de quem vive a bateria, transformando a experiência sonora em narrativa.


Foto: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

4ª — Unidos da Tijuca

Enredo: “Carolina Maria de Jesus”

A escola busca retomada competitiva com um enredo biográfico sobre Carolina Maria de Jesus.

O desfile começa com a infância em Minas Gerais, passa pelas dificuldades sociais e chega à vida na favela do Canindé, em São Paulo. A narrativa acompanha a escrita em cadernos encontrados no lixo, que originou a obra Quarto de Despejo e revelou ao país a realidade da fome e da desigualdade urbana.

A proposta também aborda o sucesso literário seguido de marginalização e silenciamento, destacando a permanência de sua obra como registro social e literário. A escola pretende transformar a escrita em elemento visual da avenida, mostrando a palavra como instrumento de sobrevivência e denúncia.

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