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estreito ormuz — Crédito: Reprodução Redes Sociais

Trump anuncia retomada de ataques contra o Irã e preço do petróleo dispara

Declaração de Washington encerra trégua de dois meses; Teerã rebate ameaças e mercado reage imediatamente com alta nos barris de petróleo Brent e WTI

Gabriel Porta · · 4 min de leitura

A tensão no Oriente Médio voltou a aumentar nesta quarta-feira (10) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país retomará os ataques contra o Irã. A declaração ocorre pouco mais de dois meses após a entrada em vigor de um cessar-fogo que havia interrompido os confrontos entre os dois países.

Segundo Trump, Teerã estaria adiando negociações e dificultando um possível acordo para encerrar definitivamente o conflito. Durante pronunciamento na Casa Branca, o presidente norte-americano afirmou que os ataques serão retomados de forma intensa.

“Vamos atacá-los com muita força”, declarou.

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos lançaram ataques contra alvos iranianos. A escalada militar provocou instabilidade na região, afetou mercados internacionais e elevou os preços do petróleo. Em abril, um acordo de trégua reduziu temporariamente os confrontos.

Apesar da expectativa de avanço diplomático, nas últimas horas foram registrados novos episódios de violência. O governo dos Estados Unidos confirmou operações militares classificadas como ações de autodefesa, enquanto o Irã reivindicou ataques contra instalações militares americanas no Oriente Médio.

Novos confrontos

O Bahrein informou ter interceptado ataques aéreos atribuídos ao Irã. Na Jordânia, o Exército anunciou a destruição de cinco mísseis que teriam como alvo uma base militar utilizada por forças norte-americanas.

Já o Kuwait afirmou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram alvos hostis, sem detalhar a origem dos ataques.

Além disso, a agência iraniana Fars relatou explosões na província de Hormozgan, no sul do país, incluindo danos a reservatórios de água e outros pontos de infraestrutura. Também houve registros de ataques em áreas próximas ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.

Em resposta às declarações de Trump sobre possíveis ataques a instalações consideradas estratégicas, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que ameaças contra infraestrutura crítica representam um sinal de desespero e não de força.

ONU alerta para risco de guerra ampliada

Diante da escalada dos confrontos, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, manifestou preocupação com o aumento das hostilidades.

Segundo ele, a intensificação dos ataques e da retórica militar nas últimas 48 horas eleva o risco de uma guerra de maiores proporções na região do Golfo.

A situação também provocou reações internacionais. Rússia e China defenderam a redução das tensões e pediram esforços diplomáticos para evitar uma ampliação do conflito.

Questão nuclear segue em pauta

Outro ponto de atrito entre Washington e Teerã continua sendo o programa nuclear iraniano.

Nesta quarta-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica aprovou uma resolução exigindo mais informações sobre estoques de urânio e instalações nucleares do país.

O governo iraniano classificou a medida como inadequada diante do atual cenário de tensão militar.

Israel amplia pressão

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também voltou a se manifestar sobre o conflito e pediu apoio da população libanesa contra o grupo Hezbollah, aliado do Irã.

Nos últimos dias, Israel e Irã voltaram a trocar ataques, marcando os primeiros confrontos diretos desde a entrada em vigor do cessar-fogo firmado em abril.

Petróleo volta a subir

A nova escalada militar refletiu imediatamente no mercado internacional. Os preços do petróleo registraram alta após as declarações de Trump e os relatos de novos confrontos.

O barril do petróleo Brent fechou o dia cotado acima de US$ 93, enquanto o WTI ultrapassou os US$ 90, impulsionado pelas preocupações com a segurança da produção e do transporte de petróleo na região do Golfo Pérsico.

Analistas acompanham com atenção os próximos movimentos diplomáticos e militares, já que uma ampliação do conflito pode gerar impactos globais sobre energia, comércio internacional e estabilidade econômica.

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