🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Result
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

STF exige regulamentação do poder de polícia da Funai para garantir proteção efetiva aos povos indígenas

Embora a Funai já tenha algumas atribuições legais para proteger as terras indígenas, a ausência de uma normativa clara que regule o seu poder de polícia limita sua atuação

· 4 min de leitura
STF exige regulamentação do poder de polícia da Funai para garantir proteção efetiva aos povos indígenas
— Crédito: Divulgação/Funai

O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, estabeleceu o prazo de até 31 de janeiro de 2025 para que a União publique a normativa que regulamenta o poder de polícia da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A medida é vista como fundamental para fortalecer a proteção dos territórios indígenas e garantir a segurança dos povos originários frente a crescentes desafios, incluindo invasões de terras e violações de direitos.  

A decisão é parte da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, que desde 2020 acompanha a situação de vulnerabilidade dos povos indígenas, especialmente diante da pandemia de Covid-19. A ação foi iniciada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em conjunto com partidos políticos, destacando a necessidade urgente de retirar invasores de diversas terras indígenas e implementar medidas efetivas de proteção.  

O poder de polícia é um conjunto de prerrogativas que permite a uma entidade pública limitar ou disciplinar atividades privadas em prol do interesse coletivo. No caso da Funai, a regulamentação desse poder significa habilitar a fundação para agir diretamente em situações de conflito e ameaça nos territórios indígenas, como fiscalizações, embargos e ações preventivas contra invasões, desmatamentos e outras práticas ilegais.  

Embora a Funai já tenha algumas atribuições legais para proteger as terras indígenas, a ausência de uma normativa clara que regule o seu poder de polícia limita sua atuação. Atualmente, a fundação depende de parcerias com outros órgãos, como o Ibama e a Polícia Federal, para ações que exigem força coercitiva. Com a regulamentação, espera-se que a Funai possa agir de forma mais autônoma e ágil, fortalecendo a proteção dos povos indígenas em todo o território nacional.  

 

Mudanças esperadas 

A publicação da normativa permitirá que a Funai atue de forma coordenada com outros órgãos de fiscalização e segurança pública, mas também aumentará sua responsabilidade em casos de conflito. A atuação direta da fundação, combinada com a colaboração de entidades como o Ibama, busca evitar lacunas que historicamente prejudicam a preservação dos direitos indígenas e do meio ambiente.  

A regulamentação também pode reduzir a burocracia em operações emergenciais, como a retirada de invasores ou a contenção de atividades criminosas dentro das terras indígenas. Segundo o ministro Barroso, a medida é essencial para evitar que a proteção dos povos indígenas fique à mercê de decisões isoladas ou atrasos operacionais.  

 

Contexto 

A decisão do STF ocorre em meio a um cenário de aumento das tensões em áreas indígenas, como a Terra Indígena Guasu Guavirá, no Paraná, onde conflitos envolvendo fazendeiros, milícias privadas e comunidades indígenas têm resultado em violência e ameaças constantes. A região, habitada pelos Avá-Guarani, enfrenta desafios históricos, agravados pela insegurança jurídica trazida pela Lei do Marco Temporal e pela PEC 48, que dificultam os processos de demarcação e fomentam instabilidades.  

Desde a década de 1970, quando a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu forçou o deslocamento de inúmeras famílias indígenas, os Avá-Guarani têm lutado pela retomada de seus territórios. A falta de demarcação oficial em grande parte das aldeias expõe essas comunidades à violência e à perda contínua de suas tradições culturais.  

Além da regulamentação do poder de polícia, especialistas apontam a necessidade de fortalecer políticas públicas integradas e ações interministeriais que garantam a segurança alimentar, hídrica e cultural dos povos indígenas. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em conjunto com o Ministério dos Povos Indígenas e outros órgãos, tem desempenhado papel central na mediação de conflitos e na proteção dos direitos humanos.  

A presença do Estado, por meio de força-tarefa e de programas como a Ouvidoria Itinerante, tem sido um alento em regiões marcadas pela ausência histórica de políticas públicas eficazes. Contudo, líderes indígenas e organizações de direitos humanos alertam que apenas a atuação coordenada e contínua poderá reverter décadas de negligência e marginalização.  

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.