🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Result
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Reforma trabalhista de Milei é aprovada na Câmara com mudanças e volta ao Senado

Deputados retiram trecho sobre redução salarial e mantêm flexibilização de férias, jornada de até 12 horas e regras para greves

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Javier Milei
Javier Milei — Crédito: Reprodução/Facebook/Javier Milei

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, com alterações, a reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei. Como o texto foi modificado, ele precisará retornar ao Senado da Argentina, que havia aprovado a proposta na semana passada.

A principal mudança foi a retirada do artigo que previa redução de até 50% do salário em casos de acidentes ocorridos fora do ambiente de trabalho. O governo negociou cerca de 30 alterações para garantir a aprovação na Câmara.

A reforma é considerada uma das mais amplas mudanças na legislação trabalhista argentina desde a redemocratização. O governo afirma que o objetivo é atualizar regras consideradas rígidas, reduzir custos trabalhistas e estimular a criação de empregos formais. Críticos, por outro lado, avaliam que as medidas podem fragilizar direitos, aumentar a insegurança no emprego e enfraquecer sindicatos.

O que permanece no texto

Entre os pontos mantidos estão mudanças nas férias, na jornada de trabalho, nas regras de greve e no período de experiência.

A proposta permite que as férias sejam fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do intervalo tradicional, que costuma ir de 1º de outubro a 30 de abril.

A jornada diária poderá ser ampliada de oito para até 12 horas, desde que seja respeitado o descanso mínimo. O modelo prevê compensação conforme a demanda, sem pagamento automático de horas extras.

O período de experiência poderá chegar a seis meses, com possibilidade de extensão para oito ou até 12 meses em determinados casos. Nesses contratos, as indenizações serão reduzidas.

A reforma também altera regras de negociação coletiva, permitindo acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, em vez de convenções nacionais.

Greves e indenizações

Em setores considerados essenciais, a reforma exige a manutenção de 50% a 75% dos serviços durante paralisações. A medida limita o alcance de greves nesses segmentos.

O texto ainda prevê mudanças no cálculo das indenizações por demissão e autoriza o pagamento parcelado, em até seis vezes para grandes empresas e até 12 para pequenas e médias.

Combate à informalidade

A proposta elimina multas por falta de registro trabalhista e cria mecanismos de regularização de vínculos. Ao mesmo tempo, proíbe a contratação de monotributistas em funções que caracterizem relação formal de dependência.

No setor digital, trabalhadores de aplicativos passam a ser reconhecidos como autônomos, com regras específicas e seguro de proteção. O teletrabalho deixa de seguir obrigações adicionais criadas durante a pandemia.

Outro ponto retirado foi o artigo que permitia pagamento de salários em moeda estrangeira ou por carteiras digitais não supervisionadas pelo Banco Central.

Contexto econômico e político

A reforma integra um pacote de medidas defendido por Milei para estabilização macroeconômica e estímulo ao investimento. O governo espera concluir a tramitação até 1º de março.

O momento é considerado decisivo para a gestão iniciada em dezembro de 2023.

Dados da Pesquisa Permanente de Domicílios do Instituto Nacional de Estatística e Censos, referentes ao terceiro trimestre de 2025, indicam que a Argentina tem 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados. A taxa de desocupação é de 6,6%.

A população economicamente ativa soma 15,4 milhões, equivalente a 51,4% da população total.

Entre os ocupados, 71,9% são assalariados, mas apenas 63,3% têm emprego formal com contribuição previdenciária. Considerando autônomos e informais, a taxa de informalidade atinge aproximadamente 43% do mercado.

O setor de serviços concentra cerca de 70% dos postos de trabalho, seguido por indústria e construção, com 22%, e agropecuária, com 8%. Mais de um quarto dos trabalhadores atua por mais de 45 horas semanais.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.