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Entre pontes, taxas e fios: o Paraguai tenta organizar sua fronteira com o Brasil

Da polêmica taxa para caminhoneiros na Ponte da Integração à retirada dos emaranhados de fios em Ciudad del Este, decisões expõem os desafios do Paraguai para conciliar logística, comércio e ordem urbana na fronteira

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Nova ponte foz
Nova ponte foz — Crédito: Gentileza/Itaipu Binacional (Paraguai)

Enquanto o Paraguai avança em grandes projetos de infraestrutura e mobilidade na fronteira com o Brasil, moradores, trabalhadores e comerciantes sentem na pele a complexa transição entre obras, regras e organização urbana que marcam este início de 2026. Dois temas que pareciam distintos — a taxa para caminhoneiros na Ponte da Integração e o fim dos emaranhados de fios no centro de Ciudad del Este — estão, na verdade, conectados por um fio comum: o desafio de integrar desenvolvimento com qualidade de vida nas cidades fronteiriças.


Taxa para caminhoneiros acende debate em Presidente Franco

Na cidade paraguaia de Presidente Franco, vizinha à Ponte da Integração — a nova ligação rodoviária com Foz do Iguaçu — uma decisão municipal tem gerado polêmica: a prefeitura decidiu analisar a cobrança de uma taxa de até G$ 30 mil (aproximadamente R$ 24) para cada caminhão que trafegar pelo perímetro urbano até a ponte. A justificativa oficial é que a arrecadação ajudaria a custear melhorias em pavimentação, sinalização e iluminação de vias usadas intensamente pelo transporte pesado.  

A Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP) também informou que cobrará a partir de fevereiro uma diária adicional de G$ 10 mil para caminhões que utilizarem o pátio de estacionamento no entorno da ponte, além de tributos já previstos.  

Caminhoneiros, por outro lado, contestam os valores e pedem redução, enquanto comerciantes locais alertam que taxas adicionais podem encarecer o transporte e refletir no comércio e na logística da região.

 

Ponte da Integração: promessa de fluxo melhor, mas ainda limitada

A Ponte da Integração, concluída há alguns anos e inaugurada oficialmente, ainda não opera plenamente. Obras complementares de acesso nas duas cabeceiras seguem atrasadas, o que restringe a circulação a trechos específicos e mantém parte do tráfego pesado concentrado na antiga Ponte da Amizade, em Ciudad del Este — onde são frequentes filas e congestionamentos.  

Empresários paraguaios chegaram a cobrar publicamente a aceleração das obras, argumentando que a integração plena com o Brasil reduziria custos logísticos e beneficiaria o comércio fronteiriço, considerado um dos principais motores econômicos do país.  

 

Ordem urbana: Ciudad del Este diz adeus ao caos dos fios

Um pouco mais ao sul, em Ciudad del Este, a paisagem urbana começou a mudar visivelmente. A estatal de energia Administração Nacional de Eletricidade (Ande) iniciou a etapa final de um plano piloto que retirou os famosos emaranhados de fios e cabos dos postes no centro da cidade. A ação faz parte de um esforço maior de modernização da rede elétrica e de telecomunicações, reduzindo a poluição visual, facilitando manutenção e tornando o sistema mais seguro e confiável.  

A retirada dos fios, que ocorria em trechos como a rua Camilo Recalde, foi coordenada com empresas de telefonia e internet para evitar interrupções no serviço. A iniciativa é vista como um passo importante para melhorar a qualidade urbana na região fronteiriça — um contraponto simbólico à ainda incompleta infraestrutura viária no entorno da Ponte da Integração.

 

Uma fronteira em movimento

Esses temas — taxas para caminhoneiros, obras viárias e organização urbana — formam um panorama mais amplo de um Paraguai que busca equilibrar crescimento, mobilidade e qualidade de vida nas cidades que mais sentem o impacto direto das relações com o Brasil.

Enquanto a Ponte da Integração segue como promessa de integração e desenvolvimento, as decisões tomadas nas ruas de Presidente Franco e as mudanças no cenário urbano de Ciudad del Este mostram que os desafios para transformar essa promessa em realidade ainda exigem negociações, investimentos e diálogo com os cidadãos que vivem na primeira linha dessa fronteira dinâmica.

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