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Caiado chega ao PSD com prestígio e embaralha, ao menos por ora, planos de Ratinho Júnior para 2026

A filiação de Ronaldo Caiado ao PSD, exibida em vídeo ao lado de Ratinho Júnior e Eduardo Leite, o coloca em posição competitiva na disputa

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
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. — Crédito: Reprodução redes sociais

O vídeo divulgado nas redes sociais de Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite vai além de um registro protocolar de filiação partidária. Ele funciona como um recado interno e externo: o PSD não tem hoje um candidato natural à Presidência da República em 2026 — e a chegada de Caiado torna essa disputa mais complexa, sobretudo para Ratinho Júnior.

A cena é cuidadosamente construída. Caiado não aparece como um recém-chegado em busca de espaço, mas como alguém “acolhido” por dois governadores já filiados ao partido. A fala sobre “desprendimento”, “honra”, “coragem moral” e a promessa de que “o que sair daqui, candidato, terá o apoio dos demais” revela, na prática, o oposto do discurso: há uma disputa aberta e Caiado entra nela em condições competitivas.

Até a filiação do governador de Goiás, Ratinho Júnior vinha sendo tratado, nos bastidores do PSD, como um nome em franca ascensão nacional. Bem avaliado no Paraná, com trânsito no empresariado e aval explícito do presidente da legenda, Gilberto Kassab, Ratinho se movimentava com relativa vantagem em um partido que ainda buscava um rosto presidencial. A encomenda de pesquisas internas para medir seu desempenho eleitoral era parte desse processo de amadurecimento da pré-candidatura.

A entrada de Caiado muda o equilíbrio. Governador reeleito em Goiás, com discurso duro na área de segurança pública e uma base conservadora consolidada, Caiado traz densidade eleitoral própria e, sobretudo, capital político nacional. Sua saída do União Brasil não foi silenciosa: veio acompanhada de carta aberta, justificativa pública e da afirmação explícita de que, no PSD, ele “tem chance de disputar a candidatura”. Ou seja, Caiado não troca de partido para compor — troca para concorrer.

O vídeo reforça esse novo status. Ratinho Júnior e Eduardo Leite aparecem menos como protagonistas e mais como fiadores institucionais da chegada de Caiado. O governador do Paraná, que até então orbitava como potencial favorito interno, passa a dividir o palco com alguém que não aceita papel secundário. A promessa de unidade futura funciona como anestésico retórico, mas não elimina o conflito: três governadores, três projetos e uma vaga.

Do ponto de vista eleitoral, o PSD ganha musculatura, mas perde previsibilidade. O partido amplia seu leque de opções, porém adia qualquer consolidação em torno de Ratinho Júnior. Caiado chega com discurso presidencial pronto, trajetória nacional e a vantagem simbólica de quem rompeu com uma legenda justamente por falta de espaço para disputar o Planalto. Isso lhe confere, internamente, o argumento de que não aceitará ser apenas mais um nome testado em pesquisa.

Para Ratinho, o efeito é claro: seus planos presidenciais não estão inviabilizados, mas sofrem um freio. A pré-candidatura deixa de ser um caminho em ascensão contínua e passa a depender de comparação direta com Caiado — em pesquisas, narrativa e capacidade de articulação nacional. O PSD, por ora, não escolhe lado. Mas o vídeo indica que a largada foi dada em igualdade de condições, e talvez com leve vantagem simbólica para quem acabou de chegar.

O vídeo sela esse novo momento: o PSD entra oficialmente no jogo presidencial — e Ratinho já não joga sozinho.

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