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Ala do PL defende saída de Michelle do comando do PL Mulher após crise com Flávio Bolsonaro

Dirigentes da legenda avaliam que ex-primeira-dama agravou crise interna e prejudicou estratégia eleitoral do partido; Valdemar tenta conter incêndio com apelo à unidade

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
michelle bolsonaro
michelle bolsonaro — Crédito: Reprodução Internet

A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro ganhou novos capítulos nesta quinta-feira e deixou de ser apenas uma disputa familiar para se transformar em uma batalha interna pelo futuro do Partido Liberal (PL). Segundo informações de bastidores, uma ala significativa da legenda passou a defender a saída de Michelle da presidência nacional do PL Mulher e até a reavaliação de uma eventual candidatura dela ao Senado pelo Distrito Federal.

O movimento ocorre após a divulgação dos vídeos em que Michelle acusou Flávio de tê-la “desrespeitado”, “maltratado” e “humilhado”, além de denunciar uma suposta articulação dentro do partido para retirar a vereadora cearense Priscila Costa da disputa pelo Senado.

Nos bastidores, dirigentes do partido avaliam que a ex-primeira-dama errou ao levar o conflito para as redes sociais e acabou desviando a atenção da oposição em um momento considerado estratégico para o PL.

“O papel dela seria o de agregar, mas está fazendo o oposto. Não vejo condições de seguir no comando do PL Mulher”, afirmou uma liderança da legenda, sob reserva.

Outro dirigente foi ainda mais duro ao afirmar que Michelle “jogou a eleição no colo do Lula” ao expor publicamente as divergências internas e criar um desgaste para a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

A avaliação de parte do partido é que as declarações da ex-primeira-dama atingem justamente um dos principais desafios eleitorais do senador: ampliar sua penetração entre o eleitorado feminino.

“Ao invés de estarmos debatendo os problemas do governo, estamos resolvendo uma crise dentro de casa”, afirmou outro dirigente do PL.

 

Disputa de poder

Embora o estopim da crise tenha sido a divergência sobre a aliança do PL no Ceará, integrantes da legenda admitem reservadamente que o conflito é mais profundo e envolve a disputa por espaço político dentro do bolsonarismo.

Nas últimas semanas, Michelle acumulou vitórias internas ao emplacar nomes de sua confiança em estados estratégicos, contrariando interesses de dirigentes nacionais do partido. O grupo ligado à ex-primeira-dama conseguiu influenciar a formação das chapas em Santa Catarina e no Distrito Federal, fortalecendo sua posição dentro da estrutura partidária.

No Ceará, porém, a resistência foi maior. A direção nacional do PL consolidou um acordo político que prevê uma composição com o ex-ministro Ciro Gomes e a retirada da candidatura de Priscila Costa ao Senado, decisão que provocou a reação pública de Michelle.

 

Valdemar tenta apagar incêndio

Diante da escalada da crise, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, divulgou uma nota oficial em tom conciliador, evitando tomar partido entre Michelle e Flávio.

No texto, o dirigente afirma que divergências fazem parte de qualquer ambiente político e que elas não enfraquecem o partido, mas o tornam “mais maduro e preparado para os desafios”.

“O mais importante é que, ao final de qualquer debate, permaneçam intactos os valores e princípios que nos unem”, afirmou.

Valdemar também informou que pretende conversar pessoalmente com os dois antes de voltar a se manifestar e elogiou “a coragem dos que defendem aquilo em que acreditam”.

Apesar do tom conciliador, a necessidade de uma intervenção pública da direção nacional evidencia a gravidade da crise. Pela primeira vez desde a ascensão de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, uma disputa envolvendo membros centrais da família e do núcleo político bolsonarista transborda os bastidores e ameaça produzir consequências diretas na estrutura partidária.


Futuro incerto

Enquanto Michelle mantém o discurso de que está apenas defendendo as convicções do ex-presidente Jair Bolsonaro e o legado do PL Mulher, setores da legenda passaram a questionar se a ex-primeira-dama ainda reúne as condições políticas necessárias para permanecer no cargo.

A movimentação expõe uma pergunta que já circula entre lideranças do partido: o PL conseguirá acomodar, sob o mesmo teto, o grupo liderado por Michelle e o projeto político de Flávio Bolsonaro, ou a direita brasileira está assistindo ao surgimento de duas correntes distintas dentro do bolsonarismo?

Por ora, Valdemar Costa Neto tenta conter o incêndio. Mas, nos bastidores de Brasília, cresce a percepção de que a maior crise interna da história do bolsonarismo está apenas começando.

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