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STF coloca Lei da Ficha Limpa novamente no centro da disputa política de 2026

Supremo vai julgar mudanças aprovadas pelo Congresso que podem reduzir prazos de inelegibilidade e abrir caminho para o retorno eleitoral de políticos barrados pela Ficha Limpa

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
STF coloca Lei da Ficha Limpa novamente no centro da disputa política de 2026
— Crédito: Gustavo Moreno/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar no próximo dia 22 uma ação que pode alterar significativamente o cenário das eleições de 2026 e redefinir o futuro político de candidatos atingidos pela Lei da Ficha Limpa. A Corte analisará a constitucionalidade das mudanças promovidas pelo Congresso Nacional por meio da Lei Complementar 219/2025, aprovada no ano passado e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vetos parciais.  

O julgamento ocorrerá no plenário virtual do STF entre os dias 22 e 29 de maio e será relatado pela ministra Cármen Lúcia. A ação foi apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade, que pede a suspensão integral da nova legislação sob o argumento de que as alterações enfraquecem os mecanismos de proteção à moralidade administrativa e flexibilizam regras históricas de inelegibilidade.  

No centro da controvérsia está a mudança na forma de contagem do prazo de inelegibilidade. Pela sistemática anterior da Lei da Ficha Limpa, os oito anos de impedimento geralmente começavam a ser contados apenas após o cumprimento integral da pena ou do término das sanções impostas. A nova regra altera esse entendimento e permite que o prazo passe a correr já a partir da condenação por órgão colegiado, da renúncia ao cargo ou da decisão que decretar a perda do mandato. Na prática, isso pode reduzir o tempo de afastamento eleitoral de políticos condenados.  

A legislação também estabeleceu limite máximo de 12 anos para casos de acúmulo de inelegibilidades por improbidade administrativa. Pelo novo modelo, condenações posteriores relacionadas a fatos semelhantes poderão ser unificadas, impedindo que os prazos sejam somados indefinidamente. Críticos da mudança afirmam que a medida cria brechas para antecipar o retorno político de figuras condenadas antes mesmo do cumprimento pleno das consequências judiciais dos atos praticados.  

Nos bastidores de Brasília, o julgamento já movimenta partidos, advogados eleitorais e lideranças políticas. Entre os nomes frequentemente citados no debate público como potenciais beneficiários da mudança estão o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e os ex-governadores Anthony Garotinho e José Roberto Arruda.  

A discussão ocorre em um momento politicamente sensível. Faltando poucos meses para o avanço formal do calendário eleitoral, partidos já iniciam negociações de alianças, montagem de chapas e definição de candidaturas estratégicas. A avaliação dentro do STF é que adiar o julgamento prolongaria uma insegurança jurídica capaz de impactar diretamente registros de candidatura e futuras decisões da Justiça Eleitoral.  

Ao sancionar a nova legislação em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou justamente os trechos considerados mais sensíveis juridicamente. Entre eles, dispositivos que previam efeitos retroativos para condenações já transitadas em julgado e regras que alteravam o marco temporal da inelegibilidade conforme a data da eleição. O governo argumentou, na ocasião, que alguns pontos poderiam gerar insegurança jurídica e tratamento desigual entre candidatos em situações semelhantes.  

Criada em 2010 após mobilização popular que reuniu mais de 1,6 milhão de assinaturas, a Lei da Ficha Limpa se consolidou como um dos principais instrumentos de restrição eleitoral a candidatos condenados por órgãos colegiados, cassados ou que renunciaram para evitar processos de cassação. Desde então, a legislação se tornou símbolo do discurso de combate à corrupção e frequentemente ocupa posição central em disputas políticas e eleitorais no país.  

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