🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Senado equipara misoginia ao racismo e endurece penas

Texto aprovado no Senado classifica misoginia como crime de ódio, com penas mais severas e sem fiança. Proposta avança para análise dos deputados

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
.
. — Crédito: Senado

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (24) um projeto de lei que equipara a misoginia ao racismo, ampliando as punições para crimes de ódio contra mulheres. A proposta altera a Lei do Racismo (Lei 7.716/1989) e agora segue para análise da Câmara dos Deputados.  

Pelo texto aprovado, a misoginia — definida como a exteriorização de ódio, desprezo ou aversão às mulheres — passa a ser tratada como crime de discriminação, com penas mais severas do que as atualmente previstas no Código Penal.  

A mudança representa uma inflexão importante no tratamento jurídico do tema. Hoje, condutas misóginas costumam ser enquadradas como injúria ou difamação, com penas mais brandas. Com a nova proposta, essas práticas passam a ser equiparadas a crimes de racismo, que são inafiançáveis e imprescritíveis, além de preverem reclusão.  

 

Penas mais duras e tipificação específica

O projeto estabelece que ofensas motivadas por misoginia poderão resultar em pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa. Já a prática, indução ou incitação à discriminação contra mulheres poderá ser punida com reclusão de um a três anos.  

O texto também inclui a “condição de mulher” entre os critérios de interpretação da Lei do Racismo, ao lado de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional.  

Segundo a relatora da proposta, senadora Soraya Thronicke, a medida busca atingir a raiz da violência contra mulheres, muitas vezes iniciada por discursos de ódio, especialmente nas redes sociais.  

 

Contexto: violência crescente e pressão por respostas

A aprovação ocorre em meio ao aumento de casos de violência contra mulheres no país. Parlamentares argumentaram que a misoginia não é apenas uma opinião, mas um fator estruturante de práticas violentas, incluindo o feminicídio.  

Durante a tramitação, também foram citados movimentos e comunidades online que promovem a inferiorização feminina, o que reforçou a defesa de instrumentos legais mais rígidos para conter esse tipo de comportamento.  

 

Debate sobre liberdade de expressão

O projeto não passou sem resistência. Parte dos senadores manifestou preocupação com possíveis impactos sobre a liberdade de expressão, defendendo a inclusão de salvaguardas para manifestações artísticas, religiosas ou acadêmicas.

A proposta de inserir essas ressalvas foi rejeitada pelo plenário. O entendimento majoritário foi de que a Constituição já garante a liberdade de expressão e que a lei deve focar exclusivamente na punição de práticas discriminatórias.  

Próximos passos

Com a aprovação no Senado, o texto segue agora para a Câmara dos Deputados, onde poderá sofrer alterações antes de eventual sanção presidencial.

Caso seja aprovado em definitivo, o Brasil passará a ter uma das legislações mais duras do mundo no combate à misoginia, alinhando-se a países que já adotaram medidas semelhantes para enfrentar crimes de ódio de gênero.  

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.