PF conclui laudo sobre morte de "Sicário" de Daniel Vorcaro
Inquérito enviado ao STF confirma suicídio por asfixia e descarta uso de drogas; Luiz Phillipe Mourão era apontado como braço de intimidação do fundador do Banco Master
A Polícia Federal concluiu a investigação sobre a morte de Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado como integrante do núcleo de intimidação ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
De acordo com o inquérito, a causa da morte foi asfixia após uma tentativa de suicídio, que evoluiu para morte encefálica. Os exames também descartaram o uso prévio de drogas ilícitas.
A documentação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por relatar as investigações relacionadas ao caso. Caberá à Corte decidir sobre a eventual retirada do sigilo do inquérito, o que pode esclarecer publicamente as circunstâncias da morte, registrada após um episódio dentro da sede da PF em Minas Gerais.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o material enviado ao Supremo apresenta um conjunto robusto de provas e “não deixa dúvidas sobre a dinâmica da morte”, ocorrida em 6 de março deste ano. As informações apontam que Luiz Phillipe tentou tirar a própria vida dentro de uma cela na superintendência da Polícia Federal, utilizando a camisa que vestia no momento.
Ele chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu após ser encaminhado a um hospital.
Laudos detalham causa da morte
O material entregue ao STF reúne cinco laudos periciais. Dois deles, de natureza toxicológica e necroscópica, foram elaborados pelo Instituto Médico-Legal, vinculado à Polícia Civil de Minas Gerais. Esses exames eram considerados complementares e haviam sido mencionados anteriormente na declaração de óbito, que não indicava a causa da morte, o que gerou questionamentos sobre o caso.
De acordo com fontes, os documentos formam um conjunto técnico detalhado, com diversos anexos que reconstituem o ocorrido e indicam a causa da morte.
Outros três laudos foram produzidos por peritos da própria Polícia Federal. Um deles analisa as vestes utilizadas pela vítima no momento do fato. A avaliação buscou identificar possíveis vestígios de substâncias, como drogas, hipótese que foi descartada tanto nesse exame quanto no laudo toxicológico.
Outro relatório examina o conteúdo das ligações realizadas por Luiz Phillipe após a prisão, utilizando o telefone disponibilizado pela PF. O acesso a contato com familiares e advogados é um direito garantido e pode impactar a legalidade da prisão caso não seja respeitado.
O último laudo apresenta uma análise detalhada das imagens gravadas na cela, com reconstrução minuto a minuto do que ocorreu antes da tentativa de suicídio.
Envio ao STF e próximos passos
Uma equipe da Polícia Federal de Minas Gerais seguiu para Brasília nesta quinta-feira (23) para apresentar pessoalmente as conclusões ao ministro André Mendonça. O relator deverá avaliar se o material é suficiente para encerrar o caso ou se será necessária a continuidade das investigações.
Após essa etapa, o conteúdo também será disponibilizado ao Ministério Público Federal e à Procuradoria-Geral da República, que poderão analisar os resultados.
Procurada pela reportagem, a Polícia Federal informou que não se manifesta sobre o caso em razão do sigilo judicial.
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