Brasil pode decretar feriado se eliminar Paraguai na Copa? Entenda o que diz a lei
Após o Paraguai parar o país para celebrar a classificação sobre a Alemanha, especialistas analisam se o presidente da República teria poder para repetir a medida no Brasil caso a Seleção avance às quartas de final da Copa do Mundo
A decisão do governo paraguaio de decretar feriado nacional após a histórica classificação da seleção sobre a Alemanha, na Copa do Mundo de 2026, levantou uma curiosidade do outro lado da fronteira: afinal, o presidente da República poderia fazer o mesmo no Brasil caso a Seleção Brasileira elimine o Paraguai nas oitavas de final?
A resposta, segundo especialistas em Direito consultados pelo portal Migalhas, é negativa. Diferentemente da legislação paraguaia, que autoriza o presidente a instituir até três feriados extraordinários por ano, o ordenamento jurídico brasileiro impõe limites bastante claros para a criação de feriados nacionais.
No Paraguai, o presidente Santiago Peña utilizou uma prerrogativa prevista em lei para declarar feriado nacional após a vitória da Albirroja sobre a Alemanha nos pênaltis, resultado que colocou o país em clima de festa. A medida teve respaldo jurídico justamente porque a legislação local permite ao chefe do Executivo criar datas excepcionais de descanso oficial.
No Brasil, entretanto, a situação é diferente. A criação de feriados civis nacionais depende de lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. O chefe do Executivo, sozinho, não pode instituir um novo feriado por decreto apenas em razão de um evento esportivo.
Há, porém, uma alternativa prevista na legislação. O presidente pode decretar ponto facultativo para órgãos da administração pública federal. Nesse caso, servidores públicos são dispensados do expediente, mas empresas privadas, comércio, indústria e demais atividades econômicas continuam funcionando normalmente, salvo decisão própria dos empregadores ou de governos estaduais e municipais.
A diferença prática é significativa. Enquanto o feriado suspende, em regra, as atividades em todo o país, o ponto facultativo atinge apenas os órgãos públicos abrangidos pela medida, não alterando automaticamente a rotina da iniciativa privada.
O debate ganhou força após o Paraguai transformar a classificação diante da Alemanha em uma celebração nacional. A decisão repercutiu internacionalmente e evidenciou como diferentes países tratam juridicamente acontecimentos de grande impacto esportivo.
Agora, caso o Brasil confirme a classificação diante do Paraguai e avance às quartas de final da Copa do Mundo, a possibilidade de um “feriado da vitória” dependerá mais da vontade política do Congresso do que de uma decisão unilateral do Palácio do Planalto. Até lá, a medida mais viável juridicamente continuaria sendo a decretação de ponto facultativo para a administração pública federal.
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