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Safra de verão no Paraná deve superar 25,9 milhões de toneladas, aponta Deral

Soja lidera produção e confirma cenário agrícola robusto para o ciclo 2025/26

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
deral
deral — Crédito: Jaelson Lucas/Arquivo AEN

A Previsão Subjetiva de Safra (PSS) de janeiro confirma um dos cenários agrícolas mais expressivos dos últimos anos no Paraná. O levantamento foi elaborado pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. O destaque é a safra de verão, puxada pela soja, com projeção de mais de 22 milhões de toneladas e produção total estimada em 25,9 milhões de toneladas.

Mesmo com colheita em ritmo mais lento, em razão das chuvas, as condições das lavouras seguem favoráveis. A expectativa é positiva para o ciclo 2025/26. O documento também analisa os segmentos de ovos, leite, frutas e horticultura.

Soja mantém protagonismo

A safra de verão se consolida como o principal motor da agricultura paranaense neste início de ano. Os dados indicam estabilidade em relação ao levantamento anterior. O bom desenvolvimento das lavouras, aliado à ampla área cultivada, sustenta a projeção de volume superior ao da safra passada.

A soja ocupa área próxima de 5,8 milhões de hectares e tem produção estimada acima de 22 milhões de toneladas, configurando mais uma colheita histórica. Até o fim de janeiro, cerca de 5% da área havia sido colhida. O índice é inferior ao de anos anteriores, reflexo das chuvas frequentes. Ainda assim, o padrão vegetativo é considerado bom, e as precipitações previstas são decisivas para confirmar os rendimentos esperados.

Milho

O milho de primeira safra apresenta boas perspectivas produtivas, mesmo com área menor em comparação à soja. A expectativa é de aumento na produção total, embora os rendimentos não repitam os recordes do ciclo anterior.

O milho de segunda safra começa a ser semeado dentro do calendário recomendado. O avanço ocorre principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste, à medida que a colheita da soja avança. O desempenho dessa etapa será determinante para o resultado final da safra estadual.

Feijão

O feijão de primeira safra caminha para o encerramento com redução de área e produção. O cenário reflete os preços menos atrativos no período de plantio. A produção estimada é de cerca de 184 mil toneladas, o que representa queda de aproximadamente 46% em relação à safra anterior.

Para a segunda safra, a área projetada também é menor do que no último ciclo. Ainda assim, há expectativa de recuperação produtiva, dependendo das condições climáticas e do andamento do plantio nas próximas semanas.

Horticultura

Na horticultura, o destaque é a qualidade dos produtos colhidos. Batata, cebola e tomate apresentam bom padrão. A batata de primeira safra tem colheita avançada, enquanto a segunda safra está em fase de plantio. A cebola encerrou a colheita com produtividades satisfatórias, apesar da redução de área.

No tomate, mesmo com leve retração na área plantada, a expectativa é de boa produção. O setor, porém, enfrenta preços mais baixos, influenciados pelo excesso de oferta e pela concorrência de outras regiões.

Ovos

Em janeiro de 2026, os preços de varejo dos ovos no Paraná apresentaram forte retração. A queda média foi de 14,6% em relação a janeiro de 2025 e de 17,5% na comparação com dezembro. O recuo foi mais intenso no ovo extra (-25,2%), seguido pelo ovo grande (-15,8%). O ovo médio teve redução de 2,7%.

O movimento contrasta com a alta observada nos preços das carnes bovina, suína e de frango, o que reforça a competitividade do ovo como fonte de proteína. Para fevereiro, a projeção é de elevação dos preços, em função do padrão sazonal, do retorno das compras institucionais e da menor produção nacional.

Leite

O mercado de leite manteve, no início de 2026, a trajetória de queda registrada ao longo de 2025 no Paraná. O cenário é influenciado pela oferta elevada e pelos custos de produção ainda altos. O preço médio do leite entregue à indústria deve ficar em torno de R$ 2,15 por litro, valor 22,1% inferior ao de janeiro de 2025.

No varejo, o litro do leite UHT foi vendido, em média, a R$ 3,75 em janeiro. O valor representa queda mensal de 3,1% e redução anual de 23,2%. O aumento das importações de leite em pó no fim de 2025 contribuiu para manter a pressão sobre os preços internos.

Frutas

A fruticultura paranaense segue ampliando presença no mercado externo. Em 2025, as exportações do setor somaram US$ 22,4 milhões, crescimento expressivo na comparação com a última década. Limão, lima, banana e abacate lideram os embarques e reforçam o potencial do segmento para diversificação e agregação de valor à produção estadual.

Conjuntura

Junto com a PSS, o Deral divulgou o Boletim Conjuntural semanal. O documento aponta pressão generalizada sobre os preços do agronegócio paranaense neste início de 2026. O cenário afeta grãos de verão, proteínas animais e a pecuária leiteira, influenciado pela oferta interna e por fatores macroeconômicos. Além dos grãos, o boletim detalha o comportamento dos mercados de ovos, leite e frutas.

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