🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Copel
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Endividamento no campo pressiona agro e mobiliza Congresso por pacote emergencial

Parlamentares cobram crédito mais acessível e articulam projeto bilionário para renegociação de dívidas rurais

Eliane Alexandrino · · 3 min de leitura
Seguro rural é essencial para o agronegócio
Seguro rural é essencial para o agronegócio — Crédito: Jaelson Lucas/Arquivo AEN

O setor agropecuário brasileiro enfrenta um cenário de forte pressão financeira, marcado pela combinação de crédito mais restrito, custos elevados e queda nos preços de commodities. O ambiente, descrito por parlamentares como uma “tempestade perfeita”, tem ampliado o endividamento rural e acendido o alerta no Congresso Nacional para a necessidade de medidas emergenciais.

O tema foi discutido em reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que recebeu o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, para alinhar propostas e cobrar ações do governo federal. A bancada, que reúne mais de 300 parlamentares, apresentou um conjunto de demandas consideradas prioritárias para evitar o agravamento da crise no campo.

Entre as principais medidas defendidas está o avanço do Projeto de Lei 5.122/2023, que propõe a criação de uma linha específica para renegociação de dívidas rurais, com recursos do Fundo Social. A estimativa é de que o mecanismo possa disponibilizar cerca de R$ 30 bilhões em crédito, embora integrantes do setor considerem o valor insuficiente diante da dimensão do problema.

O presidente da FPA, Pedro Lupion, afirmou que há mobilização para acelerar a tramitação da proposta e garantir apoio do Executivo. Segundo ele, o endividamento crescente compromete a capacidade produtiva e exige respostas rápidas.

No Senado, a articulação política também avança. A senadora Tereza Cristina tem atuado na interlocução com o governo federal e lideranças do Congresso para dar andamento ao projeto. A proposta está em análise na Comissão de Assuntos Econômicos e deve ser relatada pelo senador Renan Calheiros.

Além da renegociação de dívidas, a FPA entregou ao Ministério da Agricultura um documento com uma série de reivindicações. Entre os pontos, estão a revisão de normas que restringem o acesso ao crédito rural com base em critérios ambientais, a ampliação do Plano Safra, a redução de custos de financiamento e a definição de regras mais claras para regulamentações do setor.

Os parlamentares também defendem maior participação do setor produtivo em decisões governamentais, incluindo negociações internacionais e políticas regulatórias. A bancada aponta que a insegurança jurídica e a sobreposição de normas têm dificultado o planejamento dos produtores e impactado diretamente a produção.

Durante o encontro, o ministro André de Paula sinalizou abertura para ampliar o diálogo com o Congresso e afirmou que pretende estabelecer uma agenda permanente com a bancada ruralista. A proposta inclui reuniões periódicas para discutir políticas públicas e acompanhar demandas do setor.

Outro ponto levantado pelos parlamentares foi a necessidade de revisão de regras relacionadas ao monitoramento ambiental e ao acesso ao crédito, especialmente em casos envolvendo o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Segundo integrantes da FPA, inconsistências nesses critérios têm impedido produtores regularizados de obter financiamento.

A preocupação com a sustentabilidade econômica da atividade rural também foi reforçada por deputados e senadores de diferentes regiões do país. Relatos indicam dificuldades generalizadas para custear a próxima safra, com impacto direto em cadeias produtivas como leite, grãos, hortifrutigranjeiros e proteína animal.

Parlamentares destacaram ainda a importância de políticas estruturantes, como seguro rural mais abrangente e programas de equalização de juros, para reduzir riscos e garantir previsibilidade ao produtor. A avaliação é de que, sem medidas efetivas, o setor pode enfrentar retração na produção e perda de competitividade.

Diante do cenário, a FPA defende uma atuação coordenada entre Congresso e governo federal para construir soluções de curto e médio prazo. A expectativa é que as propostas em discussão avancem nas próximas semanas, em meio à pressão por respostas rápidas para evitar o agravamento da crise no campo brasileiro.

Foto: Divulgação

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.