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Um prêmio para quem insiste em dizer com imagens

As inscrições são gratuitas, seguem até 4 de agosto e podem ser feitas por artistas maiores de 18 anos; obras selecionadas circularão por unidades do Sesc em todo o estado

Redação · · 3 min de leitura
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2 — Crédito: Baby Eyes/ Adobe Stock

Era uma parede branca, no meio de um corredor silencioso, pedindo que alguém a interrompesse. Não com um quadro qualquer, mas com alguma verdade que coubesse numa imagem. Foi com esse espírito — e talvez também com alguma vontade de devolver sentido à arte que nasce longe dos salões oficiais — que o Sesc Paraná lançou o Prêmio Sesc de Arte 2025.

O edital, que está com inscrições abertas até 4 de agosto, vai selecionar até 12 obras bidimensionais para compor o acervo institucional do Sesc. O objetivo é tanto valorizar a produção artística local quanto garantir que essas obras circulem — em paredes reais, diante de públicos reais — nas unidades da instituição espalhadas pelo Paraná.

Pintura, desenho, gravura, fotografia, colagem, ilustração ou técnica mista. A lista é ampla, mas a condição é clara: o trabalho precisa ser bidimensional, estar pronto para ser instalado em parede, e ter sido criado por alguém com mais de 18 anos — seja artista autônomo, MEI ou pessoa jurídica com CNAE compatível.

Cada proponente pode inscrever até três obras diferentes, em categorias distintas, conforme a faixa de premiação: R$ 10.000, R$ 5.000 ou R$ 2.500. O valor total do edital é de até R$ 60 mil. As obras inscritas não competem entre si: são avaliadas individualmente, com base em critérios técnicos e conceituais.

É preciso preencher o formulário online no site do Sesc Paraná e enviar, via link de armazenamento em nuvem (Drive, Dropbox ou Onedrive), uma proposta artística para cada obra, acompanhada de currículo, portfólio em PDF e documentação obrigatória conforme o tipo de inscrição (pessoa física, MEI ou jurídica). Nada de material físico, nem arquivos com senha ou links quebrados. Aqui, cada detalhe importa.

A seleção ocorre em duas etapas: primeiro, uma comissão técnica formada por profissionais da cultura avalia critérios como qualidade técnica, relevância sociocultural, originalidade, clareza e trajetória artística. Só passam para a fase seguinte propostas que somarem pelo menos 30 dos 40 pontos possíveis. Depois, vem a análise documental — rigorosa, como manda o edital.

As obras selecionadas serão doadas ao Sesc, mediante assinatura de termo de doação e cessão dos direitos autorais patrimoniais. Isso significa que a obra passa a integrar oficialmente o acervo da instituição, com direito a circular, ser divulgada, exposta, e talvez — quem sabe? — surpreender alguém numa tarde qualquer em Pato Branco, Londrina ou Paranaguá.

A entrega da obra será feita presencialmente na Unidade Sesc da Esquina, em Curitiba, em data a ser combinada. O transporte, a moldura e a instalação ficam por conta do artista. O resultado da seleção será divulgado no site a partir de 1º de setembro, e os artistas escolhidos terão três dias úteis para confirmar participação. Em caso de desistência, suplentes serão convocados.

Há também restrições: não podem se inscrever pessoas com vínculos diretos com o Sesc, Senac ou Fecomércio — nem seus familiares até o terceiro grau. Empresas impedidas de contratar com o sistema ou em situação irregular também ficam de fora. O edital completo, com todos os anexos e orientações, está disponível no site oficial do Sesc Paraná.

Em tempos em que a arte muitas vezes precisa se justificar para existir, o Prêmio Sesc de Arte vem lembrar que ela continua sendo necessária. Porque enquanto houver paredes em branco e artistas dispostos a preenchê-las, ainda há o que dizer — mesmo quando ninguém pediu. E às vezes, é justamente isso que muda tudo.

 

 

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