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Murais transformam o Centro de Curitiba com arte e poesia

Homenagens a nomes da cultura paranaense ocupam fachadas e antecipam o Festival da Palavra 2025

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
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cmc — Crédito: Cido Marques/CMC

Um percurso de 600 metros pelo calçadão da Rua XV de Novembro, entre o Paço Municipal e o Bondinho da Leitura, no Centro de Curitiba, se tornou uma galeria de arte a céu aberto. Cinco murais, criados pelos artistas Fernando Ferlin (Gardpam) e Marciel Conrado, estampam figuras importantes da cultura paranaense: Poty Lazzarotto, Paulo Leminski, Barão do Serro Azul, Helena Kolody e Luci Collin.

As obras, localizadas em edifícios históricos, valorizam a memória da cidade e servem como introdução à terceira edição do Festival da Palavra, que acontecerá de 10 a 14 de setembro em 24 espaços de Curitiba. Em 2025, o evento terá curadoria da escritora e crítica literária Luci Collin. Helena Kolody será uma das homenageadas da programação.

Os murais de Kolody e Collin ficam próximos, nos arredores da Praça Generoso Marques. A obra de Kolody ocupa a fachada de um prédio de 17 andares e traz um dos versos mais conhecidos da poeta: “Deus dá a todos uma estrela. Uns fazem da estrela um sol. Outros nem conseguem vê-la”. A pintura é de autoria de Gardpam.

A homenagem a Luci Collin está na lateral do edifício Palacete Tigre Royal, na Rua Prefeito João Moreira Garcez. A obra, assinada por Marciel Conrado, foi inspirada no poema “Encarnado”, de autoria da escritora curitibana, que tem mais de 20 livros publicados e é também tradutora.

Durante uma visita ao Centro, Camila Isadora Maier, de 38 anos, e sua mãe, Lídia Maier, de 63, pararam para observar o mural dedicado a Helena Kolody. “Às vezes a gente passa tão distraída pela cidade e não repara. Mas quando tem uma imagem assim, a gente para, olha e lembra do que é bonito”, comentou Camila.

Outro destaque do circuito é o mural de Paulo Leminski, que ocupa cerca de mil metros quadrados da fachada do Edifício Marechal Deodoro, na esquina da Travessa da Lapa com a Rua XV de Novembro. A imagem do poeta, com seu visual característico, foi finalizada às vésperas da Flip 2025, festa literária de Paraty (RJ), onde Leminski é o grande homenageado.

A arte em homenagem ao Barão do Serro Azul, empresário e figura histórica da Revolução Federalista, pode ser vista na lateral da sede da Associação Comercial do Paraná (ACP), também no calçadão. A obra em preto e branco, de Gardpam, retrata Ildefonso Pereira Correia, fundador da ACP e símbolo de resistência.

Completando a sequência, um mural celebra o centenário de Poty Lazzarotto. A pintura, também de Gardpam, mostra o artista curitibano caminhando com um desenho e um lápis nas mãos, tendo ao fundo o Bondinho da Leitura. A obra fica próxima à Praça Zacarias.

Desde 2023, Curitiba possui uma legislação específica para intervenções visuais em fachadas de edificações. Grafites, murais, poesia visual, pinturas, mosaicos, lambe-lambe e colagens são permitidos, desde que não tenham caráter publicitário. A norma simplifica o processo de autorização, que é feito online e gerido pela Secretaria Municipal do Urbanismo (SMU), garantindo segurança jurídica tanto para artistas quanto para proprietários. Isso tem incentivado o crescimento da arte urbana na capital, em harmonia com o patrimônio histórico local.

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