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hildeberto — Crédito: André Jonsson/OFEC
Esportes › Futebol

Hildeberto Pereira, do Operário-PR, denuncia caso de racismo após jogo contra o Vila Nova

Atleta relata ter sido chamado de "macaquinho" por torcedor em Goiânia; caso foi registrado em súmula e clube goiano promete identificar o responsável.

Gabriel Porta · · 4 min de leitura

O atacante Hildeberto Pereira, conhecido como Berto e atleta do Operário Ferroviário Esporte Clube, denunciou ter sido vítima de racismo após partida da Série B do Campeonato Brasileiro. O caso ocorreu no sábado (18), depois da derrota por 2 a 1 para o Vila Nova Futebol Clube, no estádio OBA, em Goiânia.

Segundo o jogador, as ofensas partiram de um torcedor após o fim da partida. Berto afirma ter sido chamado de “macaquinho”.

“Depois do fim da partida houve xingamentos da parte da torcida, da nossa parte também, como é normal no futebol. Aí eu escutei um torcedor do Vila Nova dizer ‘macaquinho’. Não tinha visto o gesto, mas quando cheguei no vestiário vi o gesto e foi logo no momento seguinte. Deu para saber que foi um ato racial. É triste, são coisas que vamos viver no futebol e fora dele”, declarou em entrevista à BandNews.

O episódio foi registrado em súmula pelo árbitro Jodis Nascimento de Souza. Conforme o documento, a equipe de arbitragem foi informada pelo delegado da partida, Leandro Lagares Pires de Souza, sobre a denúncia de injúria racial.

De acordo com o relato, o atleta deixou o estádio acompanhado por policiais para registrar boletim de ocorrência.

“Fomos informados no vestiário pelo delegado que, após o término do jogo, o comandante da força policial do BEPE foi até o vestiário informar que o atleta de número 14 alega ter sofrido injúria racial de um torcedor do Vila Nova. O atleta saiu do estádio acompanhado pelo policiamento em direção à delegacia para prestar queixa”, descreve a súmula.

O presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, se manifestou ainda na zona mista e afirmou que o clube vai atuar para identificar o responsável.

“Nós vamos identificar essa pessoa. Estou extremamente magoado. O Operário-PR é um dos clubes que têm maior credibilidade no país. Estou extremamente envergonhado com o que aconteceu. São pessoas honradas, não vamos admitir esse tipo de coisa na nossa casa. Nosso povo não é um povo racista, não vamos admitir isso”, disse.

Nota do Operário

Em nota oficial, o Operário Ferroviário afirmou que repudia os atos racistas e informou que já há um suspeito identificado e autuado em flagrante.

“O Operário Ferroviário repudia com absoluta veemência os atos de cunho racista sofridos por seus atletas após a partida deste sábado, em Goiânia, diante do Vila Nova”, diz o comunicado.

O clube também informou que prestou apoio imediato aos jogadores e que vai acompanhar o caso até a responsabilização dos envolvidos.

“As imagens encaminhadas às autoridades evidenciam as manifestações discriminatórias. Um dos envolvidos já foi identificado e autuado em flagrante. O clube prestou imediato apoio aos jogadores e acompanhará o caso até as últimas instâncias, buscando a completa responsabilização dos envolvidos.”

Na nota, o Operário destaca que o episódio é uma conduta individual e não representa o clube adversário ou sua torcida.

“O Operário ressalta que se trata de uma conduta individual, que não representa a instituição Vila Nova nem a maioria de seus torcedores. Agradecemos à diretoria do clube goiano pela postura colaborativa e pela solidariedade prestada aos nossos atletas e ao Presidente do Grupo Gestor.”

O clube também comentou a confusão após o jogo.

“No que se refere aos acontecimentos posteriores, o Operário destaca que o ambiente foi marcado por elevada tensão decorrente da gravidade do ocorrido, circunstância que deverá ser considerada na devida análise.”

Por fim, reforçou o posicionamento contra o racismo.

“Reafirmamos que o racismo é abominável e inaceitável. O combate a essa prática exige a união de toda a sociedade. Seguiremos firmes, de forma intransigente, no combate ao racismo e na defesa incondicional de nossos profissionais.”

Confusão após a partida

O fim do jogo também teve registro de confusão entre torcedores e jogadores. Segundo a súmula, torcedores posicionados atrás do banco de reservas do Operário se envolveram em confronto com atletas visitantes.

O jogador Jhan Pool arremessou uma garrafa em direção à arquibancada. Um torcedor respondeu com outro objeto, que acabou atingindo o presidente do Operário, Álvaro Góes, no rosto.

Ainda conforme o árbitro, Berto também lançou um objeto em direção à arquibancada, mas não foi possível confirmar se alguém foi atingido.

O caso segue sob investigação e pode ter desdobramentos tanto na esfera criminal quanto esportiva.

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