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Samba-enredo é historiado e analisado como arte em livro que aponta injeção de fôlego no gênero carnavalesco

Por Giuliano Saito


Capa do livro 'Samba de enredo – História e arte', de Luiz Antonio Simas e Alberto Mussa Arte de Leonardo Iaccarino a partir da obra 'Espelho da diversidade religiosa', de André Cunha ♪ Em 2009, quando concluíram a edição original do livro Samba de enredo – História e arte (2010), os autores Luiz Antonio Simas e Alberto Mussa tinham dúvidas sobre o futuro desse gênero musical essencialmente carnavalesco. Como enumeram no posfácio escrito em dezembro de 2022 para a edição revista e ampliada posta nas livrarias pela editora Civilização Brasileira neste mês de fevereiro de 2023, os escritores detectavam na ocasião o que caracterizam como “dificuldades” para a devida continuidade do samba-enredo como gênero fundamental e original do tronco do samba. As adversidades eram decorrentes de fatores como “a padronização estilística, o excesso de enredos patrocinados sem qualquer relação com o ambiente das escolas de samba, o andamento acelerado das baterias, a aparente desintegração das alas de compositores, a falta de renovação autoral, os critérios de julgamento e o próprio descolamento entre as escolas de samba e o público mais amplo”. Tais questões continuam em aberto, como concluem os autores no arremate do inédito posfácio, mas o texto de Simas e Mussa já aponta certa injeção de ânimo no gênero, citando o caso da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, que deu a volta por cima ao contratar os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, idealizadores de enredos de relevância cultural que gerou sambas de boa qualidade nos Carnavais de 2020 e 2022. O posfácio confere atualidade à nova edição de Samba de enredo – História e arte, cuja capa inédita foi criada por Leonardo Iaccarino a partir da obra Espelho da diversidade religiosa, de André Cunha. Contudo, a matéria-prima do livro é a análise da produção do gênero, desde a construção, por volta de 1870, até o Carnaval de 2009. Nessa análise, os escritores delimitam períodos para caracterizar o que qualificam como fase de “formação” (de 1933 a 1950), “período clássico” (de 1951 a 1968) e “época de ouro” (de 1969 a 1989). Para tal, os autores ouviram cerca de 1,6 mil composições. Mantendo o texto escrito por Haroldo Costa para a orelha da edição original de 2010, o livro analisa letras de sambas-enredos, traça breves perfis de compositores do gênero e mapeia escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro, jogando luz sobre agremiações menos faladas como União de Jacarepaguá e Unidos do Cabuçu. Em cada uma das 266 páginas do livro, percebe-se o amor de Luiz Antonio Simas e Alberto Mussa pelo samba-enredo ofertado ao povo em forma de arte. Acesse nosso canal no WhatsApp