PodParaná #119: Saiba como arquitetos de Curitiba ajudaram a criar base brasileira na Antártica
Por Giuliano Saito

Estação Antártica Comandante Ferraz serve de abrigo a brasileiros que desenvolvem pesquisas no continente antártico, considerado o mais frio e mais seco do mundo. Estação Antártica Comandante Ferraz Leonardo Finotti Localizada no Polo Sul, a Estação Antártica Comandante Ferraz serve de abrigo para brasileiros que desenvolvem pesquisas no continente. Um incêndio em 2012 destruiu a base em funcionamento desde 1984. Quase todo o espaço foi destruído, duas pessoas morreram, uma ficou ferida, e outras 57 saíram ilesas. Então, o governo federal anunciou um programa para a reconstrução do local. A ação envolveu um concurso arquitetônico para escolher o projeto da nova base. Localização da base brasileira na Antártica em relação ao Paraná Fabio Furtado/Artes RPC A proposta vencedora foi idealizada pelo escritório de arquitetura curitibano Estúdio 41. O episódio #119 do PodParaná conta a história da criação da nova base e os desafios para o desenvolvimento do projeto arquitetônico no continente considerado o mais frio e mais seco do mundo. Além disso, o episódio traz relatos de pessoas que desenvolvem pesquisas no continente antártico e detalhes sobre como é a preparação para ir até a base. Participam deste episódio: Emerson Vidigal, arquiteto e sócio do Estúdio 41; Gabrielle Lube, pesquisadora integrante do Centro de Estudos do Mar. Veja imagens da Estação Antártica Comandante Ferraz, a base brasileira na Antártica Projeto arquitetônico O arquiteto Emerson Vidigal explica que o desenvolvimento do projeto arquitetônico teve que levar em conta uma série de particularidades do continente antártico. Entre elas, os acordos geopolíticos e critérios de preservação ambiental que estão estabelecidos no local. Além disso, segundo Vidigal, os arquitetos envolvidos no projeto não tiveram a oportunidade de visitar o espaço antes do desenvolvimento da ideia. "A gente venceu o concurso em maio e em abril tinha fechado a operação Antártica daquele ano. Porque aí é inverno, o mar congela, pesquisadores e marinha todo mundo volta para o Brasil [...] A gente precisou desenvolver o projeto com base em narrativas... A Marinha acabou sendo nossos olhos lá", explica. Mais tarde, em 2019, a equipe conseguiu visitar o local quando as obras estavam quase finalizadas. "A gente compreendeu um pouco melhor o que aquilo significava. Foi bem especial. É diferente escutar alguém falar e chegar lá e sentir o frio, sentir o vento... Você chega lá e a coisa é reveladora, como um papel de presente que você abriu", relata Vidigal. Estação Antártica Comandante Ferraz Leonardo Finotti Inspiração para Hollywood O design da base serviu de inspiração para o filme "O Céu da Meia-Noite". Na trama, um apocalipse leva a maior parte da humanidade a ir para outro planeta, mas um cientista fica em um observatório no Ártico. O homem passa então a conversar com astronautas que tentam retornar para a Terra, mas não conseguem contato porque não sabem que o planeta está deserto. "Quando você olha o edifício ele tem uma cara meio de ficção científica, que poderia ser em outro planeta e tal. Confesso que a sensação que se tem é um pouco de estar em um planeta meio alienígena, porque não tem nada parecido com o que a gente encontra aqui no dia a dia", afirma Emerson Vidigal. Initial plugin text Pesquisas Desde a inauguração da nova base, em 2020, o local recebe pesquisadores brasileiros, inclusive paranaenses. Em novembro de 2022 um grupo de pesquisadores do Centro de Estudos do Mar (CEM), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi até a estação. Lá, eles desenvolvem um projeto chamado "As Múltiplas Faces do Carbono Orgânico e Metais no Ecossistema Antártico". Gabrielle Lube é pesquisadora do CEM e explica que, para ir até o local, é preciso passar por um treinamento. "É o chamado treinamento pré-Antártico. Ele é realizado anualmente na Ilha da Marambaia, no Rio de Janeiro, pela Marinha do Brasil. Além disso, existe toda uma logística por trás da separação e preparação do material que é realizado durante as operações Antárticas por cada grupo de pesquisa. O material todo é separado e enviado em setembro por um navio", explica. Pesquisadores brasileiros desenvolvem pesquisa na Antártica LaGPoM-UFPR VÍDEOS: mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.
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