Teste de aprovação

Cassado por fake news, Fernando Francischini é nomeado por Ratinho Junior como chefe na Secretaria da Mulher e da Igualdade Racial

Por Giuliano Saito


Governo do Paraná disse que não se manifestará sobre Francischini. Na mesma pasta, em nomeação de quatro chefes, governador só escolheu uma mulher. Diretor escolhido para secretaria também é homem. Fernando Francischini Sandro Nascimento/Alep Condenado e cassado há dois anos por propagar fake news, o ex-deputado estadual Fernando Francischini (União Brasil) foi nomeado pelo governador Ratinho Junior (PSD) como um dos chefes de coordenação da Secretaria da Mulher e da Igualdade Racial do Paraná. Relembre a cassação abaixo. O nome dele foi oficializado no último Diário Oficial do estado, na quinta-feira (12), mesma publicação em que o governador nomeou um homem branco para gerir a pasta temporariamente. A publicação traz quatro nomes de chefes de coordenação para a secretaria - apenas um é de uma mulher. Questionado sobre a indicação de Francischini diante da cassação e qual o posicionamento de Ratinho Junior em relação à propagação de fake news, o Governo do Paraná afirmou que não vai se manifestar. Na época da cassação, Francischini contestou a decisão, mas disse que ela foi histórica para a "luta pelas liberdades individuais", estimando que reverteria a condenação no Supremo Tribunal Federal (STF). O g1 tenta contato com a equipe do ex-parlamentar. Decreto com nomeação de Fernando Francischini para chefe da Secretaria da Mulher foi publicado na quinta (12) Reprodução/Diário Oficial do Paraná Secretaria da Mulher com maioria de homens Além de um secretário interino homem e branco, a Secretaria da Mulher e da Igualdade Racial do Paraná também tem maioria masculina nos cargos de chefia. O cargo de diretor, que fica logo abaixo do líder da pasta, também será ocupado por um homem. Fernando Francischini e outros dois homens foram nomeados para os cargos de chefia. Na mesma função, apenas uma mulher foi indicada para a pasta. A secretaria foi criada para o segundo mandato de Ratinho Junior, desmembrada da Secretaria de Justiça, Família e Trabalho. Em nota, o Governo do Paraná afirmou que as nomeações fazem parte da estrutura de cargos montada, "mas o organograma final será definido pela nova secretária, que será uma mulher". Em entrevista à RPC logo após ser reeleito, em outubro de 2022, o governador afirmou saber da importância da representatividade feminina, mas disse que o primeiro critério para nomeações no governo seria a competência. Até a publicação desta reportagem, não há informações sobre quando a secretária efetiva será nomeada, nem quando o organograma final da secretaria será definido. Leia também: Relembre: Delegado, deputado e apoiador da Lava Jato: quem é Fernando Francischini Família: Flávia Francischini, esposa de Fernando Francischini, é eleita deputada estadual UFPR: Estudante de cursinho preparatório para pessoas de baixa renda passa em medicina Acidente em Curitiba: 'Cena de filme', diz mulher que teve carro atingido por caminhão que bateu em 12 veículos Relembre reviravoltas da cassação de Francischini Francischini foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em outubro de 2021 com base na Lei Complementar 64/90. Ele afirmou no dia da eleição em 2018, sem apresentar provas, que urnas foram adulteradas para impedir a eleição do presidente Jair Bolsonaro. Por conta disso, ele também perdeu o mandato e se tornou inelegível por abuso de poder político e de autoridade. A saída do então parlamentar e outros dois deputados estaduais do então PSL na Assembleia Legislativa do Paraná promoveu uma dança de cadeiras na Casa. Francischini foi o candidato mais votado para deputado estadual daquele pleito, com quase 428 mil votos. Contudo, após recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Nunes Marques deu liminar favorável a Francischini. Ele retomou o mandato em junho de 2022, mas saiu novamente do cargo após dois dias do retorno diante da decisão da 2ª Turma do STF, que derrubou a liminar de Nunes Marques e manteve a cassação. À época, a defesa do ex-parlamentar afirmou que aguardava o julgamento de um recurso extraordinário na Corte. Se Francischini não tivesse sido cassado, o mandato dele terminaria em fevereiro de 2023. Legislação No Paraná, uma lei de 2011 estipulou vedações para a nomeação de pessoas em cargos públicos no governo estadual. A legislação, entretanto, não cita impedimentos por condenação por fake news. Um projeto de lei de 2020, de autoria do deputado Requião Filho (PT), tenta incluir o impedimento de nomeação de pessoas que propagam notícias falsas. A proposta está parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) desde fevereiro de 2021. Nomes anunciados no governo Ratinho Secretários do primeiro escalão de Ratinho Junior Arte/RPC O primeiro escalão de Ratinho Junior tem, até este domingo (15), 20 nomes definidos. Entre os anúncios mais recentes está o deputado estadual reeleito Mauro Moraes (União Brasil), novo secretário de Trabalho, Qualificação e Renda. Com isso, a vaga do parlamentar para a nova legislatura na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) será assumida por um suplente. Saiba mais: 1º escalão: Confira quem são os secretários de Ratinho Junior para o 2º mandato Análise: Veja as promessas de Ratinho Júnior para o 2º mandato Outros nomes tradicionais da política estadual também estão no rol de secretários. O deputado federal Ricardo Barros, por exemplo, foi nomeado para a Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços. Guto Silva, ex-chefe da Casa Civil, assumiu a Secretaria do Planejamento. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 PR Veja mais notícias do estado em g1 Paraná. Acesse nosso canal no WhatsApp